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sábado, 3 de março de 2012

Celebration

Finalmente chega a hora tão aguardada. Aquele momento em que celebramos nosso ano gastrônomico reproduzindo os pratos eleitos para representar todos os outros. O domingo onde preparamos os nada mais, nada menos que: os melhores do ano.

Uma verdadeira celebração para a qual levamos nossos bons momentos e nossa risada mais gostosa.

Este ano a escolha do cardápio não foi nada fácil. É o que acontece quando se tem muitas boas opções à disposição. Mas acredito que os eleitos cumpriram bem sua missão.

Logo de início a salada quente de abóbora já aromatizou toda a cozinha com seu leve adocicado e o toque de amêndoas e alecrim. Desta vez não tínhamos queijo de cabra para esquecer na geladeira, mas acrescentamos pedaços de queijo brie para dar originalidade ao prato. No post "Um dia frio", pode-se relembrar esta história e anotar a receita.

salada quente de abóbora

Na sequência, aquele que foi unanimidade nos votos da patota. O prato preferido de Zeca Camargo com toda a razão de ser: o rosbife da mãe do Zeca.

Mais uma vez divino, perfeito, sensacional. Carne macia, suculenta com diferentes texturas e sabores marcantes em perfeita harmonia e tudo isto bem gratinadinho. Coincidentemente, também do post "Um dia frio". Pois é... eu sempre disse que no inverno come-se melhor.

rosbife - receita da mãe do zeca camargo e unanimidade na patota

Para acompanhar o risoto de alho-poró. Decidido no último minuto pelo voto da Liane, que irá levar para casa nosso brinde exclusivo (pode cobrar Li).

Risoto leve, que não brigou em nenhum momento com a intensidade do rosbife e completou nosso cardápio de maneira magistral. Confira a receita no post "Prova de fogo".

risoto de alho-poró e nosso rosbife já gratinadinho

Agora, já que tantas vezes por aqui, afirmo e reafirmo que tudo fica melhor com sorvete, nada mais justo que o vencedor fosse o sorvete cremoso de azeite com caramelo de vinagre balsâmico que descobrimos no post "Misturas exóticas". Nesta versão fizemos o caramelo com vinagre de framboesa. Tão bom quanto!

Desta vez com muitas framboesas e mirtilo.

sorvete de azeite com caramelo de vinagre balsâmico

Claro que tudo isto foi harmonizado com um vinho. Aliás, sugestão para a eleição do ano que vem, votarmos também no vinho, para não termos que decidir de última hora.

Enfim... o vinho desta ocasião foi o alentejano Couteiro-Mor 2002. Esta vinícola ganhou, justo em 2002, o prêmio de Melhor Produtor de Portugal, concedido pela "Revista de Vinhos" em reconhecimento da qualidade mantida todos os anos. 

Provamos o tinto de mesa que me levou a descobrir finalmente o que é um vinho de mesa.

Significa que é produzido com uvas comuns ao invés das viníferas (as próprias para vinhos e não indicadas para consumo, para a mesa). Não são próprios para guarda e são menos refinados. Estou aprendendo...

Tinha muitos sedimentos no fundo da garrafa, tanto que chegou a manchá-la, aroma um pouco agressivo, mas de sabor suave. Um bom vinho, mas pouco impressionante. Talvez outras safras sejam mais interessantes.

vinho regioonal alentejano - vinho fino de mesa

Muitas histórias foram contadas à mesa, muitas lembranças trazidas à tona em um ambiente familiar cercado de sabores já conhecidos. Assim acaba este bom momento. Com a certeza de ser uma celebração para durar anos.

Yahoo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu voltei...

...agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar.

Chega de férias, 2012 já produziu assunto para todo um bloco de retrospectiva e eu aqui só na vida mansa.

Mas que fique claro, aproveitei as minhas férias trabalhando muito para o Gastronomia Doméstica. Imaginem só, a dedicação ao blog foi tanta que cheguei até mesmo a fazer o enorme sacrifício de ir a outro estado só para visitar vários restaurantes, tirar muitas fotos, provar inúmeros pratos e tudo isso para que? Claro, só para ter dicas e posts cheios de novidades. Afinal, as belas praias capixabas e o verão não tiveram nada a ver com esta viagem. Nadinha.

Também trabalhei muito aqui em casa, sempre contando com a ajuda de toda a minha patota favorita. Patota aliás pra quem sempre sobra boa parte do serviço pesado e que está crescendo a olhos vistos com a chegada de uma nova pessoinha muito aguardada.

Foram 2 ceias, almoços de domingo e jantares de não acabar mais que renderão posts por muito tempo.

Bom, como já é de praxe, o ano começa para o Gastronomia Doméstica com a eleição do "Melhores do Ano".

Em 2011 recebi algumas reclamações, dizendo que o esquema de votação estava um pouco confuso, então resolvi simplificar.

Quem vota?
Quem quiser participar, além de claro, toda a patota daqui.

Quais pratos estão valendo?
Todas as receitas postadas aqui no blog durante o ano de 2011 (lembrando que não vale votar nas eleitas do ano passado).

Onde a votação será realizada?
Nos comentários deste post.

Como voto?
Em um cardápio completo, com direito a entrada, prato principal, acompanhamento e sobremesa.

Como será feita a apuração?
Somando os votos. Ganham os pratos que receberem mais votos. Caso seja necessário o voto de minerva será dado pela minha irmã (Erika, a líder da patota).

Até quando pode votar?
Até dia 7 de Fevereiro (data sujeita a mudança).

Haverá algum prêmio?
Sim, alguns brindes exclusivos do Gastronomia Doméstica serão sorteados entre os leitores que publicarem seu voto nos comentários.

Quando sai o resultado?
No dia seguinte ao término da eleição aqui no blog em um post fresquinho.

Estamos combinados? Então já pode correr, reler os posts mais apetitosos e escolher seus preferidos. A eleição já está valendo.

Agora, se estamos de volta a todo vapor, não posso terminar o post sem uma receita. Uma receita com cara e gosto de férias. Pasteizinhos de carne que foram feitos na intenção de acompanhar a cerveja Aecht Schlenkerla Rauchbier Weizen (presente do meu cunhado mais legal).

Primeiro a cerveja. Produzida na cidade de Bamberg, na Alemanha e sim, é uma cerveja rauchbier, ou seja, uma lager carregada em lúpulo e, o principal, feita com malte defumado que lhe confere sabor de bacon.


Nesta versão ela é feita com trigo, deve ser servida com muita espuma, consumida por volta dos 6° e preparar-se para um sabor tão intenso quanto seu aroma. Sua cor é avermelhada e bastante fosca. Ao fim do copo os resíduos tem ainda sabor mais marcante e profundo.

Já deu pra entender que harmonizar esta bebida não é nada fácil. Pois o prato deve ser compatível com a potência de seu paladar. Tendo isto em mente, vamos aos pastéis começando pela massa.

Em uma travessa coloque 2 xícaras de farinha de trigo e uma colher (chá) de sal. Junte então 2 generosas colheres (sopa) de azeite e 3 também bem dosadas colheres (sopa) de cachaça.

A cachaça na massa ajuda a deixá-la bem sequinha e crocante e não afeta o sabor.

Misture tudo muito bem e aos poucos acrescente água morna para dar o ponto. A quantidade de água irá depender da farinha, mas lembre-se que a massa deve ficar bem sequinha, quando eu fiz não foi necessário mais de meia xícara de água.

Massa pronta, enrolar em papel filme e levar à geladeira. Cerca de 30 minutos já são suficientes para esticá-la. Usei a máquina de macarrão para deixá-la bem fininha, mas o rolo e muito braço conseguem o mesmo resultado. Quanto mais fina melhor.

Para o recheio frite em azeite duas porções de bacon em cubinhos (cerca de 100g). Quando estiver bem frito acrescente uma cebola finamente picada e deixe refogar até que ela fique transparente e só então junte 2 dentes de alho bem picadinhos.

Depois da refoga em bacon é hora de colocar 250g de carne moída para fritar. Frite até que ela esteja bem soltinha (evite carne congelada nesta receita pois solta muita água). Junte uma pimenta dedo de moça picada, sal e pimenta do reino a gosto, faça o deglace com cachaça. Tire a panela do fogo e acrescente 7 azeitonas pretas picadas e dois ovos cozidos também em pequenos pedaços. Misture tudo até que fique homogêneo, corrija o sal se necessário e estamos prontos para montar os pastéis.

Corte a massa em pequenos retângulos, capriche na quantidade de recheio que irá colocar no centro e feche a massa com a ajuda de um garfo. Esta receita rende 20 pasteis gordinhos com cerca de 10 cm.

A vantagem de fazer a massa em casa é que fresca ela tem mais elasticidade e isto permite que o recheio seja realmente generoso sem o risco de "rasgar" a massa na hora de fechar os pasteizinhos com o garfo e muito menos de estourar na hora de fritar.

Óleo quente, fritar até dourar e escorrer em papel toalha.


Nada como as férias para nos dar a liberdade de saborear coisas fritas e intensas sem culpa nenhuma. Pensar que agora só me restam os fins-de-semana para me proporcionarem esta sensação...

Pois é, 2012 começa assim, com muitas novidades, mas sem deixar de lado alguns velhos hábitos... como os longos posts de sempre. Fazer o que? Eu me empolgo quando começo a escrever...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Plano B

Votação encerrada, cardápio definido, convidada escolhida e data agendada, tudo pronto para começar o melhores do ano.

Cada um já sabia a sua parte, bastou colocarmos as mãos na massa. O primeiro passo foi o preparo do nhoque.

O responsável:  meu cunhado preferido.
A receita: aqui.

Preparou tudo com muito capricho e zelo. Dedicou tempo e suor de seu sábado a noite para trazer o nhoque já pronto no domingo.

Acabou de fazer, ajeitou tudo em bandejas e foi dormir o sono dos justos.


Quando as bandejas chegaram aqui em casa, não sabemos dizer o que aconteceu, mas o nhoque estava meio grudento. Resolvemos colocá-lo no freezer, era uma tentativa. Enquanto aguardávamos o nhoque recebemos nossas convidadas.

Sim, no plural, porque nossa ilustre leitora Sheyna tem uma mini-mim muito fofa que também veio nos presentear com sua participação mais que especial. 


Claro que não podíamos perder a oportunidade de doutrinar uma possível futura Grand Chef de Cuisine, e fomos logo lhe apresentando a nossa primeira cartilha, o Gente Miúda na Cozinha.

Nos inspiramos tanto nele que nosso próximo encontro culinário será uma releitura de suas receitinhas.

Mas próximo encontro é assunto para outro post, ainda temos muito trabalho a fazer por aqui, como a entrada, nossa recorrente salada caprese com molho pesto.

A reponsável: minha irmã mais legal.
A receita: aqui.

Montou tudo como sempre de maneira muito organizada e delicadinha. Essa salada sempre fica com uma apresentação bem interessante além do sabor bastante marcante.


O acompanhamento escolhido era muito mais do que um simples acompanhamento. Nada mais do que a galinha caipira de receita da vó Ignez. E não poderia ser realizada por ninguém menos que minha mãe.

A responsável: a melhor mãe do mundo (sou puxa saco mesmo e nem ligo).
A receita: aqui.


Dessa vez, ela foi até a avícola, mas achou que as galinhas estavam muito mirradinhas. Pequenas, coitadinhas, melhor deixá-las lá para crescerem mais um pouco. Correu para o mercado e comprou o frango caipira congelado, este sim, grande e saudável. Não foi por pena, apenas para garantir que haveria carne para todos.

Vou confessar que dessa vez o frango ficou mais tenro, descolando do osso, muito suculento. Realmente incrível. De deixar a vó Ignez muito orgulhosa.

E então é chegado o momento de tirar os nhoques do freezer e tentar cozinhá-los. Mas aí tivemos um pequeno problema. Os nhoques simplesmente se desmancharam na água.

Definitivamente, não sabemos explicar o que aconteceu. Sei que o Léo (meu cunhado preferido) ficou bastante chateado, e mais do que isso, ficou devendo uma receita de nhoque para nós. Claro que iremos cobrar o quanto antes e postar aqui no blog as diferenças de preparo, para em uma comparação, tentarmos adivinhar o que deu errado desta vez.

Enfim, ficamos sem nhoque, mas ainda tinhamos convidadas a alimentar, que esperavam comer una bela pasta com molho de cogumelos. E sim, já tínhamos o molho pronto. A receita do molho está aqui.

Resolvemos fazendo o que sabemos fazer de melhor. Improvisamos. Abrimos o armário, pegamos espaguete e assim recorremos ao plano B.


É, nem tudo sai exatamente como a gente quer às vezes. Mas vendo pelo lado positivo é sempre uma ótima desculpa para repetir receitas e claro, aprender e crescer na arte culinária que tanto nos fascina.

Tudo pronto, sentar à mesa e saborear.


No fim, plano A ou plano B, não fez assim uma diferença tão grande. O almoço estava de se comer rezando. Espia só a concentração da pequena Livia que repetiu o espaguete e pediu muito molho.


Depois do almoço, a sobremesa. As peras ao vinho do Curtis Stone, eu não poderia deixar que o cardápio de melhores do ano ficasse sem uma receita dele que foi a minha grande descoberta de 2010.

A responsável: eu.
A receita: aqui.

Preparei as peras no sábado, para que estivessem bem geladinhas e curtidas no vinho. Obviamente elas foram acompanhadas de sorvete, porque tudo fica melhor com uma bola de sorvete, ainda mais no verão.


Mas esse almoço não acabou na sobremesa, ainda tivemos café passado na hora acompanhado de um delicioso panetone trazido por nossa convidada.

Um panetone importado da Itália, chamado Flamigni.  
  
   

Extra macio, úmido na medida certa e apesar de ter o sabor bem intenso não tinha aquele aroma forte e bastante artificial de alguns panetones de marca bem conhecida. Pena tê-lo conhecido longe do Natal. Agora terei que esperar até o ano que vem para provar os diversos sabores que ele possui, como peras ou figo. 

Depois de tudo isso nada melhor do que a clássica rede preguiçosa para deitar.    


Dessa vez eu cedi meu lugar na rede para a nossa mais ilustre convidada. Afinal depois do elogio de pedir para repetir com certeza ela merecia o lugar de honra da casa.