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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tudo novo, de novo

Ano novo, vida nova, receitas novas. Tudo novo de novo.

Claro, com direito a todas as velhas mandingas e ingredientes que não podem faltar na virada.

Pular ondinhas, muita lentilha para garantir o dinheiro no bolso, bacalhau para trazer prosperidade e, inventando novas superstições, café para que 2012 seja bastante animado.

Logo de cara as lentilhas que este ano fugiram da tradição.

Cozidas al dente foram misturadas à ricota, cebola e tomate picados, hortelã picada em abundância, azeite para dar aquele toque especial, sal e pimenta do reino para finalizar.

Montamos esta mistura com um dia de antecedência e deixamos na geladeira. Pouco antes de servir recheamos endívias e servimos de entrada.


O verão do fim de ano agradece o frescor da hortelã e a leveza da receita. É, mas parece que este ano o verão queria mesmo era derrubar muitas gotinhas de água sobre nossas cabeças... se chuva na virada é indício de fartura 2012 chegou pra arrasar.

Para o prato principal unimos mais uma vez o novo e o de novo. O de novo ficou por conta da deliciosa polenta da mamãe. Feita na panela de pressão em apenas 10 minutos cravados no relógio após o início da fervura.

Calcular a quantidade de ingredientes fica fácil quando sabemos a proporção. São 2 xícaras e meia de caldo de galinha para cada xícara de fubá e essa medida serve 2 pessoas.

Já na panela de pressão coloque metade do caldo e quando estiver borbulhante, acrescente a outra metade onde o fubá já deve estar dissolvido. Mexa com vontade até ferver. A partir daí fechar a panela e pegar o cronômetro.

10 minutos depois... abrir, despejar em uma travessa de vidro e finalizar com um pouquinho de leite (bem pouquinho mesmo, na proporção 1/4 de xícara). Utilizamos o leite onde fervemos o bacalhau para ajudar a harmonizar os pratos e fazer os convidados perguntarem qual o nosso segredo.


O segredo da polenta está no tempero do caldo, que deve ser suave para não sobressair, mas com muitas ervas como a salsa e o tomilho por exemplo. Aí a polenta fica assim, cremosa, aromática e deliciosa em qualquer dia do ano.

Muita calma, este é só o acompanhamento o prato principal, o novo, ainda está por vir.

Dessalgue lombo de bacalhau em água gelada que deve ser trocada de tempos em tempos durante dois dias. Na panela azeite, 2 dentes de alho inteiros, uma cebola cortada em pétalas e ramos de tomilho, coloque o bacalhau e cubra com leite.

Levantou fervura, apague o fogo e deixe descansar por uns 30 minutos. Escorra bem e reserve.

Em outra panela, muito azeite e 3 cebolas cortadas em finas tiras meia lua. Assim que ficar transparente acrescente 2 dentes de alho bem picados e deixe refogar. Acrescente 4 tomates sem pele e ferva.

Apure bastante, acrescentando quando e se necessário, um pouco do leite em que o bacalhau foi fervido (o mesmo que usamos para a polenta, lembra?).

Depois de apurado uma bem vinda pimenta dedo de moça picada e finalmente o bacalhau já em lascas. Apenas 5 minutos são suficientes para tirar a panela do fogo, corrigir o sal e juntar aquela costumeira e tradicionalíssima porção de salsa e cebolinha para finalizar.


Tudo bem, eu concordo que esta receita de bacalhau refogado não seja nenhuma grande novidade. Mas para mim a surpresa ficou por conta da mistura com a polenta.

Simplesmente sensacional. Acredito que foi uma das melhores receitas de bacalhau que já provei. Textura perfeita, com umidade na medida certa e sabor sem igual.

Para terminar o cardápio com os dois pés direitos, resolvi fazer uma grande estréia. A estréia do livro "Jamie Oliver Viaja" que ganhei de Natal e já tinha passeado por suas páginas cheia de ansiedade em utilizá-lo.

Não haveria portanto melhor oportunidade de testar a receita de "melhor tiramissú" do que na data em que esperamos o melhor do ano que chega.


Segui a receita à risca. Em banho-maria dissolvi 200g de chocolate 55% cacau junto com 50g de manteiga com sal. Derretido e reservado.

Espalhei 175g de biscoitos champagne no fundo de algumas travessinhas individuais e os reguei com 400ml de café quente com açúcar.

Adicionei um pouquinho de vinho de sobremesa ao chocolate derretido e então cuidadosamente cobri os biscoitos com a mistura. Dica minha, não do Jamie, coloque creme de leite fresco neste chocolate, a consistência fica ainda melhor.

Esperar esfriar e preparar a batedeira.

Bata em velocidade alta, 4 gemas, 100g de açúcar e mais vinho de sobremesa até que vire uma espuma bem clara. Misture 750g de queijo mascarpone (nem tão fácil de encontrar, mas que pode ser substituído por creme de leite sem soro) e as raspas de 1 laranja.

Junte a esta mistura as 4 claras em neve (bata com uma pitada de sal), e então espalhe a mistura sobre o chocolate.

Enfeite com pó de café e mais raspas de chocolate e de laranja. Pelo menos 2 horas de geladeira antes de servir e o ideal é que seja feito de véspera.


Com certeza uma receita com potencial para fazer parte da tradição. Inspirada e inspiradora que me fez dar mais uma volta pelo livro e resolver tirar os pés do chão, partindo para uma empolgante viagem gastrônomica.

Mas isso é assunto dos próximos capítulos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

De olhos vermelhos e pelo branquinho...

Primeiro sábado do ano, e lá vamos nós começar as invencionices. Nada melhor do que uma carne que nunca antes havíamos provado. Coelho.

Tá eu sei, coelho é fofinho, saltitante e entrega ovos de Páscoa, mas puxa vida, o frango e a vaquinha são tão feios assim?

Enfim, mais uma vez rompendo nossos paradigmas, nos aventuramos no preparo de uma nova iguaria.

Embora nunca tívessemos provado, sabemos que toda carne merece uma boa marinada. Começamos por aí então.

Cortamos o coelho em pedaços, e temperamos com sal, alho, pimenta do reino, o suco de uma laranja, as raspas dessa laranja, um cálice de vinho do porto, salsinha e bastante azeite.

Deixamos assim cerca de 6 horas. Agora na panela de ferro, aquecemos um pouco de azeite, fritamos os pedaços de carne até que ficassem bem dourados.

Acrescentamos água fervente até cobrir a carne e deixamos cozinhar até que ficasse macia (aproximadamente 2 horas). 


Quando já estava no ponto adicionamos uma colher (sopa) de mel e os gomos de uma laranja. Uma última fervura e está pronto para servir.

Claro que não nos esqueceríamos de fazer um acompanhamento para ornar com a carne. Lavamos algumas folhinhas de endívia e recheamos.

O recheio era uma mistura de cream cheese, fatias bem finas de repolho roxo, uma cenoura ralada, uma cebola bem picada, um pouco de ricota, muito azeite, sal, maionese para dar a consistência de um paté e salsa e cebolinha para colorir ainda mais. Alguns tomatinhos sweet também resolveram aparecer por aqui.


As endívias ficaram muito boas, fresquinhas, crocantes, bem temperadas, sem falar que ficam muito delicadas. Pequenas canoinhas saudáveis e repletas de um recheio com várias texturas. Tudo para tornar-se uma constante por aqui.

Ainda assim, achei que faltava um pouco de carboidrato para completar o prato. Fatiei um pãozinho amanhecido, reguei com azeite e coloquei no forno. Infelizmente, esqueci no forno. Fui lembrar quando me sentei para aproveitar o jantar. Já era tarde demais.


Segundo a minha mãe, queimadinho é mais gostoso, mas sinceramente, não sou muito a favor dessa filosofia não. Prestar atenção ao que se faz é sempre a melhor dica. Fazer o que? Falhas acontecem até nas melhores cozinhas.


Tcham tcham tcham tcham. Hora de provar o coelho. O tempero ficou sensacional, os gomos de laranja deram um toque incrível e a carne é bem suave e de sabor bastante delicado.

Confesso que esperava um pouco mais. Afinal para levar ao prato um bichinho tão fofinho, saltitante e que entrega ovos de chocolate, só justifica-se quando esse sabor é realmente incomparável e espetacular. O que eu não considerei (na minha humilde opinião) que fosse o caso. Lembra carne de frango, aquele gosto característico de carnes de caça fica muito suave e quase imperceptível dependendo do pedaço que pegar.

Entendam, é bom, vale a pena provar, para surpreender em um jantar é uma ótima opção. Mas não é algo que eu tenha a intenção de repetir a qualquer oportunidade.

No que depender de mim, os coelhinhos continuarão sendo fofinhos e saltitando por aí ao entregar ovos de Páscoa para todo mundo.

Quanto às nossas taças, além de novas (presente de Natal do meu cunhado mais legal) também estavam cheias de um vinho que até então não havíamos provado (presente de Natal do meu cunhado mais legal).

O vinho é o Montes Cherub, um Rosé of Syrah, que pode ser identificado facilmente porque no rótulo tem um querubim, gordinho, rosado e levemente alcoolizado.


Vinho muito bom. O primeiro gole foi antes do jantar e o vinho me pareceu bem leve e de sabor bem suave, mas ao acompanhar o jantar eu não sei explicar o porque (sim, eu preciso de um curso de enologia) tanto o vinho como o prato pareciam ter seus sabores realçados por causa da harmonização.

Com certeza dá para combinar facilmente muitos jantares com esse vinho, isso sem falar que ele tem uma cor muito bonita e um tanto quanto cristalino. Adorei.

De sobremesa, crepes.

Minha mãe faz uma massa de crepe fantástica, e já fazia tempo que nessa busca por coisas novas, não repetíamos essa receita já tão consagrada por aqui.

Bata no liquidificador 1 xícara e meia de farinha de trigo, uma pitada de sal, meia lata de leite condensado, as raspas de uma laranja ou limão, 1 colher (sopa) de óleo, 3 ovos, 2 colheres de conhaque e 2 xícaras de leite.

Depois é só fritar em uma frigideira pequenas porções.

Para o recheio pode inventar a vontade, ganaches, geléias, queijo e goiabada, frutas caramelizadas, brigadeiro, doce de leite. Só depende da imaginação e dos ingredientes disponíveis.

No caso da nossa sobremesa, minha mãe colocou em uma panela um pouco de açúcar, morangos picados e o suco de meio limão. Deixou cozinhar até que os morangos já tivessem soltado bastante água. Bateu no liquidificador para que ficasse em pedaços menores. A parte, ela derreteu chocolate branco e misturou com creme de leite e conhaque.

Para finalizar misturou tudo, a geléia com a ganache, formando um creme meio opaco e bem cor-de-rosa.


Cada uma montou a sua em seu prato, com uma ou duas dobras, com uma ou muitas massas e muito creme. Foi ótimo relembrar porque gostamos tanto dessa receita.

Muitos acertos, poucos erros e novidades à vontade harmonizados com boas recordações. Uma excelente forma de aproveitar o fim-de-semana.

OBS: Claro que a votação ainda está aberta, todas as informações sobre como votar clique aqui. Tá esperando o que? Clica rápido e vai votar que é só até dia 26, ou quer perder a oportunidade de participar de um desses jantares que aparecem aqui no blog?