segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Hoje tem goiabada?

Tem sim senhor!

Não só goiabada como também seu parceiro de dupla dinâmica: o queijo. Um delicioso mousse Romeu e Julieta imperdível como muitas das versões da história que se inicia na bela Verona.

Para preparar essa mousse sem que vire uma tragédia shakespeariana é preciso tempo, pois ela é feita em duas partes. Como muitas das receitas de sobremesas é necessário um dia de antecedência.

Primeiro o Romeu. No liquidificador, bata 400g de ricota, 1 lata de leite condensado e 1 xícara de creme de leite fresco.

Tudo bem batido, passe pela peneira e então acrescente as raspas de 1 limão e 1 envelope de gelatina sem sabor preparada conforme as instruções. Misture tudo e despeje em uma forma de 20cm de diâmetro untada com óleo. Leve à geladeira por pelo menos 2 horas.

E 2 horas depois... podemos finalmente preparar nossa adorada Julieta. Em uma panela coloque meia xícara de açúcar e 3 xícaras de água. Ferva até virar uma calda fina e então acrescente 1kg de goiabas sem casca e sem sementes. Deixe cozinhar até que as goiabas amoleçam. Reserve.

No liquidificador, bata 2 xícaras de creme de leite fresco e aproximadamente 3/4 das goiabas sem a calda. Peneire e acrescente delicadamente 1 envelope de gelatina sem sabor vermelha (preparada de acordo com as instruções) e 2 claras batidas em neve.

Coloque a mousse de goiaba sobre a de ricota, que deve estar endurecida, e devolva à geladeira por mais 2 horas. Desenforme antes de levar à mesa.

Para deixar nossa sobremesa ainda mais tentadora, bata no liquidificador o restante das goiabas com parte da calda. Devolva à panela e deixe apurar. Sirva fria sobre a mousse.


Sobremesa fresquinha, gostosa e com dose extra de goiabada cremosa. Perfeita para dias quentes após uma leve refeição.

Agora, mudando de assunto.

Para ninguém pensar que há marmelada na nossa eleição de melhores do ano, segue a tecla SAP dos últimos votos (aqueles que estão nos cometários deste post aqui).

Como bons engenheiros que são, Erika e Leonardo mapearam os pratos realizados em 2011 e fizeram uma planilha para facilitar a votação.

Não estranhem a bagunça de parte da numeração, a culpa foi minha que incluí uma ou duas receitas que senti falta.

Segue nossa pequena lista dos trabalhos de 2011:

MELHORES DO ANO 2011
Opção
Entrada
Mês

1

 Bolinho de bacalhau

Janeiro
2
 Endívias recheadas
Janeiro
3
 Salada de macarrão
Fevereiro
4
 Rolinhos de berinjela recheados
Março
5
 Homus, babaganush e quibe assado
Março
6
 Batata recheada
Abril
7
 Tomate recheado
Abril
8
 Pão caseiro
Maio
9
 Salada quente de abóbora
Junho
10
 Sopa de ervilha
Julho
11
 Bolinho de mandioquinha
Julho
12
 Salada com purê de cenoura
Julho
13
 Sopa de brócolis no pão
Julho
14
 Caviar de sagú
Julho
15
 Legumes assados com verdura quente
Julho
16
 Pastel de angu
Agosto
17
 Caldo de mocotó
Setembro
18
 Salada de rabanete e funcho
Setembro
19
 Barquinhos de rúcula
Setembro
20
 Confit bayaldi
Setembro
21
 Pão preto australiano
Outubro
22
 Corações de alcachofra à milanesa
Outubro
23
 Quibebe de mandioquinha
Outubro
24

 Migas

Dezembro

Opção
Prato Principal
Mês

25

 Rondelli de queijo e amêndoas

Janeiro
26
 Coelho ensopado
Janeiro
27
 Moqueca de bacalhau
Fevereiro
28
 Atum com crosta de gergelim
Fevereiro
29
 Lasanha de pesto e queijo brie
Março
30
 Nhoque com molho de gorgonzola
Março
31
 Avestruz
Abril
32
 Picanha de cordeiro com molho de hortelã
Abril
33
 Carninha do Lalau
Abril
34
 Galeto na crosta de sal grosso
Maio
35
 Boeuf Bourguignon
Maio
36
 Pargo com pesto de rúcula
Maio
37
 Galeto recheado
Maio
38
 Caldo verde
Junho
39
 Fondue de queijo
Junho
40
 Sopa de cebola
Junho
41
 Rosbife (do Zeca Camargo)
Junho
42
 Rabada
Julho
43
 Frango com quiabo
Julho
44
 Língua com batata doce
Julho
45
 Antecoxas de frango com cebola
Julho
46
 Ravioli de lingüiça e pêra
Julho
47
 Salsichas (alemãs)
Julho
48
 Hamburguer caseiro de frango
Agosto
49
 Risoto de quinua
Setembro
50
 Ossobuco
Setembro
51
 Escondidinho de abóbora com carne seca
Setembro
52
 Frango de panela
Setembro
53
 Cordon bleu de frango
Setembro
54
 Risoto de alcachofra e rúcula
Outubro
55
 Pescada branca com molho de alcaparras e creme de leite
Outubro
56
 Cordon bleu de carne bovina
Outubro
57
 Carbonade flamande
Novembro
58
 Lasanha de calabresa com amaretti
Novembro
59
 Salmão ao molho de maracujá
Novembro
60
 Truta com molhos de amêndoas e alcaparras
Dezembro
61
 Frango sentado
Dezembro
102

 Bacalhau trasmontano

Janeiro

Opção
Acompanhamento
Mês

62
  
 Torta de peru

Janeiro
63
 Arroz negro
Fevereiro
64
 Espaguete com molho de abóbora
Abril
65
 Arroz com cenourinha
Abril
66
 Caseresse ao molho de abobrinha
Maio
67
 Rigatoni com cogumelos e bacon
Maio
68
 Ratatouille
Maio
69
 Risoto de alho poró
Maio
70
 Polenta mole
Julho
71
 Feijão branco
Julho
72
 Maionese com queijo e cebola
Julho
73
 Risoto de shitake
Agosto
74
 Molho para carne
Setembro
75
 Arroz com leite de côco
Outubro
76
 Terrine de berinjela
Outubro
103
 Lentilha de ano Novo
Janeiro
104

 Esfihas - Gostosuras

Janeiro

Opção
Sobremesa
Mês

77
  
 Toucinho do céu

Janeiro
78
 Crepe de morango
Janeiro
79
 American pie
Fevereiro
80
 Cobbler
Março
81
 Pão de mel
Abril
82
 Beijinho no copinho
Abril
83
 Torta Bakewell (frutas)
Abril
84
 Expresso brulée
Maio
85
 Bolo de tangerina
Junho
86
 Bolo de cerveja (escuro)
Junho
87
 Sorvete com morango e chocolate
Junho
88
 Chocolate quente com sorvete
Junho
89
 Pudim de castanhas
Junho
90
 Pavê de capim limão
Julho
91
 Doce de abóbora
Julho
92
 Bolo de nozes
Julho
93
 Sorvete de azeite com caramelo de vinagre balsâmico
Julho
94
 Queijadinha
Agosto
95
 Pudim de laranja
Agosto
96
 Merengue
Setembro
97
 Bolo de cerveja com canela
Outubro
98
 Panacota de lavanda
Outubro
99
 Granita de maracujá
Novembro
100
 Torta doce
Dezembro
101
 Mil folhas
Dezembro
105
 Torta de pera com gorgonzola
Janeiro

Ainda vale roubar, votando em entradas para prato principal, em pratos principais para acompanhamento e em acompanhamentos para entrada. Mas vamos combinar que sobremesa só vale voto como sobremesa, né?

Acabaram as desculpas, essa eleição ficou molezinha. Mais moleza do que receita de pudim.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pura curtição

Curtir o que se faz é fundamental. Principalmente na hora de apreciar os resultados. Foi assim, na entre safra de Natal e Ano Novo quando finalmente nos programamos para fazer uma elaboradíssima receita capaz de agradar os paladares mais exigentes e que até então eu só conhecia por fotos através das redes sociais.

Receita esta feita para alegrar o prato das crianças e mostrar-lhes desde cedo o lado divertido e espirituoso da cozinha.

Trata-se de salsicha com cabelinhos de espaguete.


É muito legal. E claro, mais básico que isso só macarrão instantâneo e olhe lá.  Primeiro ferva bem as salsichas para tirar toda aquela água mais avermelhada que iria manchar o macarrão. Depois, tire do fogo e corte em rodelas grossas.

Próximo passo espetar espaguetes atravessando as salsichas. Capriche na quantidade de fios por pedaço.

Pronto, cozinhar em água com sal e azeite por uns 15 minutos. Pois é... o macarrão não deve ficar al dente neste caso, precisa de um tempo maior de cozimento para que a parte da massa que fica dentro da salsicha cozinhe também. Os "cabelinhos" ficam bem molinhos mesmo.


Quer melhorar? Cebola e alho na panela refogados em azeite, uma lata de tomates pelados e mais 2 tomates picados sem pele. Deixar ferver, acrescentar um pouco de água, um pouco de sal e apurar. Finalizar com salsa e cebolinha é sempre a dica da casa.

O que mais não pode faltar? Queijo para servir, é claro.


Macarrão, salsicha... preciso falar que a criança aqui repetiu o prato? Pura curtição!

Mas se o prato desperta o interesse de gente miúda a bebida era de gente grande. Cervejas Coopers Best Extra Stout e Vintage Ale.

Diretamente da terra dos cangurus. Produzidas em uma cervejaria independente australiana onde passam por uma segunda fermentação dentro da garrafa.

Começando pela Stout (cerveja de alta fermentação, tipo ale, preta e bem forte). Pois é, a Coopers é forte, escura e brilhante como, na minha opinião, toda boa stout deveria ser. Notas de café e a presença marcante do malte torrado a deixam bastante equilibrada, o mesmo não se pode dizer de quem a aprecia, toda sua força e intensidade são de deixar qualquer um meio balançado (ou balançando).

Mas a grande surpresa para mim foi a Vintage Ale. Esta cerveja passa por um longo período de fermentação, além de ser armazenada em barril de carvalho por 5 anos antes de ser vendida, o que lhe confere ainda mais aroma e sabor.

É do tipo que prova que a maturidade intensifica os pontos fortes. Amarga a ponto de perceber-se o lúpulo, mas extremamente balanceada por seu sabor frutado e bem apurado.


Ótima maneira de curtir a tarde, com boas cervejas e uma receita divertida e inusitada. E você? Curtiu? Então aproveite e curta também a página recém saída do forno do Gastronomia Doméstica direto para o facebook.

Basta entrar aqui e vir curtir com a gente!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Onde paramos?

Ah sim! Voltaremos no tempo há exato um mês, porque nossas histórias por aqui pararam no Jingle Bell.

Mas se hoje é 25 de janeiro, não posso deixar de dar parabéns à cidade de todas as cidades. Cidade que eu digo e repito que amo de paixão. Parabéns pelos 458 anos SP.

Agora sim, de volta à Noite Feliz.

Natal é a época em que mais tempo ficamos na cozinha aqui de casa. Muitas opções, muito trabalho, mas como sempre, compensado pelo sabor de cada prato.

Como a ceia só é servida depois que todos estão presentes alguns beliscos não fazem mal a ninguém.

Uma travessa com avelãs e frutas secas, como damascos e tâmaras é sempre bem vinda.


Assim como a já tradicional torta da mamãe. Dessa vez de frango. A massa é a mesma do post Reciclagem e pode ser conferida aqui.

Para o recheio cozinhe 2 peitos de frango, temperados apenas com sal, na pressão por 20 minutos. Depois de cozidos, desfie o frango e reserve.

Em uma panela coloque azeite, uma cebola grande finamente picado e 2 dentes de alho igualmente picado, refogue até que a cebola fique transparente. Acrescente o frango desfiado e deixe fritar, mexendo de vez em quando.

Depois de frito junte dois tomates sem pele, uma porção generosa de azeitonas pretas e uma pimenta dedo de moça, todos bem picados, corrija o sal e refogue até que o tomate murche.

Uma dica para apurar o sabor é acrescentar um pouco do caldo onde o frango foi cozido e deixar ferver por alguns minutos com a panela tampada. Abra a panela, deixe o caldo secar. Tire do fogo e acrescente 1 copo de requeijão cremoso, salsa e cebolinha e 2 ovos cozidos picados finalizam o recheio.

Espere esfriar bem antes de usar.


Massa bem quebradiça e recheio cremoso e bem temperado. Com um petisco desses tem como ter pressa em servir o jantar?

Com ou sem pressa os pratos aos poucos aparecem na mesa enchendo os olhos dos convidados. A começar pela terrine servida na entrada.

Esta terrine é um pouquinho diferente da que fiz no post Fanáticos por berinjela. A forma usada é a de bolo inglês, untada com óleo. Foram usadas 2 berinjelas grandes cortadas em rodelas e passadas na farinha de trigo levemente e fritas em azeite suficiente para dourá-las dos dois lados.

O creme foi feito a partir do molho bechamel, acrescentado de uma gema e um pote de cream cheese, além de um pouquinho de noz moscada.

Uma das camadas é de tomate e cebolas com bastante manjericão fresco picado. Dessa vez coloquei o tomate e a cebola crus, pois depois de alternar camadas de berinjela, molho, cebola e tomate com azeite e manjericão, levei ao forno brando em banho maria por cerca de 1 hora e meia. A primeira hora coberta por papel alumínio.

Esperar esfriar, levar à geladeira de um dia para o outro. Pois é, os trabalhos começaram cedo por aqui.


Ficou ainda melhor desta vez. Mais fácil de fatiar sem desmontá-la e os sabores ainda mais mesclados. Arrancou elogios até de quem não é tão fã de berinjela assim. O toque final foi dado pelo molho de mostarda com mel (com aquele toque de azeite).

E se uma entrada assim inspirada já faz sucesso, imagine duas. Não tem como evitar, Natal é sinônimo de mesa farta e acabamos sempre exagerando na montagem do cardápio.

Já que ano passado o tender foi muito apreciado, resolvemos inventar de serví-lo em finas fatias para serem saboreadas com pão italiano e regado pelo bom e velho azeite.

Temperado de um dia para o outro, para ter aquele tempo básico de uma boa marinada. O primeiro passo é fazer pequenos cortes sobre o tender formando losangos. Nas pontas destes losangos espetar cravinhos da índia para saborizar.

Dentro de um saco plástico coloque o tender, meia xícara de melado de cana e o suco de 2 laranjas. Feche o saco plástico, mexa bem e leve à geladeira. De tempos em tempos dê uma nova sacudida no tender e vire de lado, para que absorva bem o tempero de maneira uniforme.

No dia seguinte asse o tender a 200°. Para cada quilo de tender deixe assar por 20 minutos. Tire do forno, tire os cravos, espere esfriar e fatie bem fino.

Volte a forma ao fogo e deixe reduzir o molho até que esteja com a consistência de um caramelo. Sirva o molho junto com o tender.


Fatias agridoce de tender com pão italiano. Tudo muito bom, tudo muito bem e receita aprovadíssima, mas prepare-se para a reciclagem de tender. Como as fatias ficam finas acaba rendendo muito, recomendado para grandes famílias ou para exercitar a criatividade na hora do reaproveitamento.

Ainda nas entradas, algo que não pode faltar é uma boa salada. Fresquinha, leve, com folhas de rúcula, palmito, tomatinhos sweet, azeitonas e muçarelinha de búfala.


Afinal algum desses pratos tem que fazer com que eu me sinta uma pessoa light. Ainda mais quando servida junto com molho de iogurte e hortelã. Muito fácil, basta misturar iogurte, hortelã picada, sal e azeite e servir sobre a salada. Refrescante e delicioso.

Chega de entradas, vamos ao acompanhamento. Cuscuz marroquino, lembra-se dele? Fizemos esta receita no Churrasco da Cumeeira.

Em uma frigideira alta, coloque água, um pouco de vinho branco, sal e azeite e deixe esquentar. Não precisa ferver, a água deve ficar apenas morna. Desligue o fogo e acrescente uma porção de uvas passa e o cuscuz marroquino (a proporção de líquido para o cuscuz é de 1 para 1). Espere 5 minutos e solte com a ajuda de um garfo.

Quando já estiver bem soltinho tempere com canela e noz moscada, coloque também um pouco mais de azeite e sal e para finalizar junte castanhas (usamos avelãs) e frutas secas (tâmaras e damascos).


Acompanhamento diferente, rápido de fazer e de sabor incrível e impressionante.

Finalmente a estrela da festa. O prato principal. Este ano nada de peru, optamos por uma receita de lombo com abacaxi.

Só para variar, tratando-se de carnes vamos começar pela marinada feita no dia anterior. O lombo deve estar aberto em manta. Se não souber como fazer basta pedir para o açougueiro. Tempere com sal, azeite, pimenta do reino, bastante limão, alho, ramos de alecrim e vinho branco. Mais uma vez coloque dentro de um saco plástico e leve à geladeira. Faça como no tender. Dê aquela sacudida de tempos em tempos.

Enquanto isso... faça o recheio de abacaxi. Em uma panela coloque azeite, uma colher de manteiga com sal e duas cebolas picadas. Deixe dourar bem e então acrescente dois abacaxis picados sem o miolo. Junte também uma xícara de açúcar mascavo, uma generosa pitada de sal, um maço de hortelã finamente picada, pimenta do reino, uma casca de canela, noz moscada ralada (mais ou menos umas duas colheres de chá) e alguns cravos da índia para saborizar.

Deixe ferver bastante até engrossar. Tome cuidado, espirra bastante enquanto ferve. Tire do fogo, espere esfriar e então peneire esse molho.

A parte sólida será usada para rechear o lombo e o caldo será servido como molho junto com o prato.

No dia seguinte... tire o lombo da geladeira. Com ele aberto passe uma camada do recheio e então enrole o lombo como um rocambole, faça esta manobra com muito carinho para que o chutney de abacaxi não escape. Amarre com barbante e coloque em uma forma.

Hora de ir ao forno médio. Durante uma hora deixe o lombo assar tranquilamente com a parte da gordura para cima, regue de vez em quando para que ele não fique seco e não há necessidade do alumínio.

Após essa hora tire o lombo do forno, corte e retire o barbante. Coloque batatas ao redor da forma e cubra o lombo com fatias de bacon. Volte ao forno por mais uma hora, ou até que as batatas estejam macias e o bacon bem crocante.


Fala sério, lombo úmido, com recheio de abacaxi bem apurado, batatas douradas e macias com o sabor da carne e bacon. Podia ser melhor?

Só de ver a foto fico aqui babando. Ainda bem que não é preciso esperar o próximo Natal para que as receitas sejam reprisadas...

Aliás até hoje ainda não consigo entender porque as rabanadas só são lembradas no Natal. Algo tão simples e delicioso deveria estar presente durante todo o ano para adoçar os dias ruins.

Enfim, é exatamente a mesma receita do ano passado que está no post Tradição natalina e pode ser vista aqui. Porém... este ano descartamos o pão italiano. Fizemos com bisnaguinhas amanhecidas. Ficou ainda mais molinha. Delícia!


Falando em tradição natalina... às vezes dá vontade de importar algumas tradições. Como por exemplo aqueles bonequinhos de gengibre feito em larga escala no Natal dos Estados Unidos. Retratado de maneira tão simpática no Shrek e aparentemente tão deliciosos e bonitinhos.

Procuramos em vários lugares e nada de encontrarmos as forminhas certas. Também achamos a receita de gengibre um tanto quanto forte e não gostamos muito da idéia de usar glacê na decoração... é... parece que importar tradições não é o nosso forte.

Usamos então apenas a idéia de fazer biscoitinhos em formato de bonequinhos e inventamos tanto quanto possível criando talvez uma nova tradição aqui em casa. A tradição dos monstrengos de Natal.

Os monstrengos são biscoitos deliciosamente amanteigados e crocantes. Coloque em uma travessa 2 xícaras de farinha de trigo, 200g de manteiga gelada em cubinhos, 1 colher (sopa) de cacau em pó, 1 xícara rasa de açúcar e 1 xícara generosa de castanhas do Pará quebradas em pequenos pedaços.

Misture tudo com as pontas dos dedos até obter uma massa homogênea. Enrole em papel filme e leve à geladeira por 1 hora.

Uma hora depois... coloque a massa entre dois pedaços de papel filme e estique com o rolo. Deixe com aproximadamente meio centímetro de altura e corte com o auxílio de cortadores de biscoito. Como disse nós não encontramos o cortador certo, usamos um de anjo e adaptamos para o formato desejado.

Leve ao forno a 180° até que asse. Se o forno estiver quente é bem rápido, uns 10 ou 15 minutos são mais do que suficientes. Para saber o ponto olhe embaixo do biscoito, estando dourado, pode tirar do forno.

Espere esfriar e então faça os desenhos com chocolate branco e preto derretido. Faltou habilidade por aqui... mas até que os monstrengos ficaram simpáticos.

Dê um choque térmico no chocolate deixando os biscoitos já decorados na geladeira por uns 5 minutos. Coloque em uma travessa com tampa para que permaneçam bem crocantes.


Temos um ano para procurar o cortador certo e treinar a habilidade, aí quem sabe? Talvez ano que vem eles fiquem mais bonitinhos.

Bonitinhos ou não o sabor desses amanteigados tem tudo para torná-los tradicionais em dias de festa.

Dias de festa não servem apenas para fazer muitas receitas já testadas e tradicionalíssimas. Também são uma ótima oportunidade para testar uma nova receita, daquelas que temos vontade de fazer há tempos. Foi o caso do brownie feito pelo meu cunhado.

Há tempos ele procura uma boa receita, do tipo que fique com a superfície bem quebradiça e o centro bem úmido. Que não seja um simples bolo de chocolate, mas sim um verdadeiro brownie para ser acompanhado de sorvete.

Bom... ainda não foi dessa vez que chegamos lá, mas estamos cada vez mais próximos de descobrir que receita é esta. De qualquer forma ficou bastante intenso e é claro... com sorvete ficou ainda melhor.

Na batedeira 6 ovos inteiros e 450g de açúcar. Bater até que fique bem clarinho e cremoso, juntar devagar 12 colheres (sopa) de farinha de trigo. Depois de bem batido, reserve.

Em banho maria derreta 150g de manteiga e 450g de chocolate meio amargo. Misture à massa reservada e quando estiver bem uniforme acrescente algumas nozes quebradas.

Despeje em forma untada e coloque pequenas quantidades de chocolate picado antes de assar. Forno quente por aproximadamente 40 minutos.


As cerejas servem para dar o toque natalino e deixar a foto mais bonita. Simplesmente essenciais.

Por último, mas não menos importante, uma sobremesa gelada aprendida com Jamie Oliver e feita caprichosamente pela mamãe. A bomba gelada de Natal que ela criativamente gostou de chamar de sorvetone devido as suas liberdades poéticas sempre tão bem vindas.

Retire do freezer 1 litro de sorvete de passas ao rum para que ele vá amolecendo enquanto prepara-se a receita. Forre uma tigela grande com papel filme com bastante sobra nas bordas (vou entregar a mamãe e dizer que ela esqueceu desta parte, não foi nada legal presenciar a agonia dela na expectativa de ver se a sobremesa sairia da forma sem desmanchar inteira, no fim, deu tudo certo... ainda bem).

Corte um panetone de 1kg em fatias. Forre o interior da tigela com essas fatias sem deixar sobras. Regue com uma mistura de suco de laranja e Contreau.

Coloque metade do sorvete. Sobre o sorvete junte uma xícara de frutas cristalizadas picadas (foram usados melão, damasco e cereja) e uma porção de amêndoas torradas e quebradas. Pressione um pouco com as costa de uma colher.

Acrescente o restante do sorvete. Cubra com mais algumas fatias do panetone fazendo uma ‘tampa’ e regue com a mesma mistura de suco de laranja e Contreau.

Puxe as sobras laterais de plástico filme para cobrir. Com a ajuda de um prato, pressione bem e leve ao freezer de preferência de um dia para o outro.

Retire do freezer meia hora antes de servir. Cubra com chocolate ao leite derretido e enfeite com as famigeradas cerejas pra lá de fotogênicas.


Ufa! Acho que não esqueci de nada. Muito trabalho, mesa repleta de sabores diferenciados para agradar todos os paladares. Ceia com direito a bacon e sorvete para não se ter do que reclamar. Alguns quilos a mais para ter uma promessa na ponta da língua na virada do ano... aiai.

Melhor do que isso? Só poder compartilhar tudo isto com pessoas especiais. Natal inesquecível dos petiscos até a sobremesa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu voltei...

...agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar.

Chega de férias, 2012 já produziu assunto para todo um bloco de retrospectiva e eu aqui só na vida mansa.

Mas que fique claro, aproveitei as minhas férias trabalhando muito para o Gastronomia Doméstica. Imaginem só, a dedicação ao blog foi tanta que cheguei até mesmo a fazer o enorme sacrifício de ir a outro estado só para visitar vários restaurantes, tirar muitas fotos, provar inúmeros pratos e tudo isso para que? Claro, só para ter dicas e posts cheios de novidades. Afinal, as belas praias capixabas e o verão não tiveram nada a ver com esta viagem. Nadinha.

Também trabalhei muito aqui em casa, sempre contando com a ajuda de toda a minha patota favorita. Patota aliás pra quem sempre sobra boa parte do serviço pesado e que está crescendo a olhos vistos com a chegada de uma nova pessoinha muito aguardada.

Foram 2 ceias, almoços de domingo e jantares de não acabar mais que renderão posts por muito tempo.

Bom, como já é de praxe, o ano começa para o Gastronomia Doméstica com a eleição do "Melhores do Ano".

Em 2011 recebi algumas reclamações, dizendo que o esquema de votação estava um pouco confuso, então resolvi simplificar.

Quem vota?
Quem quiser participar, além de claro, toda a patota daqui.

Quais pratos estão valendo?
Todas as receitas postadas aqui no blog durante o ano de 2011 (lembrando que não vale votar nas eleitas do ano passado).

Onde a votação será realizada?
Nos comentários deste post.

Como voto?
Em um cardápio completo, com direito a entrada, prato principal, acompanhamento e sobremesa.

Como será feita a apuração?
Somando os votos. Ganham os pratos que receberem mais votos. Caso seja necessário o voto de minerva será dado pela minha irmã (Erika, a líder da patota).

Até quando pode votar?
Até dia 7 de Fevereiro (data sujeita a mudança).

Haverá algum prêmio?
Sim, alguns brindes exclusivos do Gastronomia Doméstica serão sorteados entre os leitores que publicarem seu voto nos comentários.

Quando sai o resultado?
No dia seguinte ao término da eleição aqui no blog em um post fresquinho.

Estamos combinados? Então já pode correr, reler os posts mais apetitosos e escolher seus preferidos. A eleição já está valendo.

Agora, se estamos de volta a todo vapor, não posso terminar o post sem uma receita. Uma receita com cara e gosto de férias. Pasteizinhos de carne que foram feitos na intenção de acompanhar a cerveja Aecht Schlenkerla Rauchbier Weizen (presente do meu cunhado mais legal).

Primeiro a cerveja. Produzida na cidade de Bamberg, na Alemanha e sim, é uma cerveja rauchbier, ou seja, uma lager carregada em lúpulo e, o principal, feita com malte defumado que lhe confere sabor de bacon.


Nesta versão ela é feita com trigo, deve ser servida com muita espuma, consumida por volta dos 6° e preparar-se para um sabor tão intenso quanto seu aroma. Sua cor é avermelhada e bastante fosca. Ao fim do copo os resíduos tem ainda sabor mais marcante e profundo.

Já deu pra entender que harmonizar esta bebida não é nada fácil. Pois o prato deve ser compatível com a potência de seu paladar. Tendo isto em mente, vamos aos pastéis começando pela massa.

Em uma travessa coloque 2 xícaras de farinha de trigo e uma colher (chá) de sal. Junte então 2 generosas colheres (sopa) de azeite e 3 também bem dosadas colheres (sopa) de cachaça.

A cachaça na massa ajuda a deixá-la bem sequinha e crocante e não afeta o sabor.

Misture tudo muito bem e aos poucos acrescente água morna para dar o ponto. A quantidade de água irá depender da farinha, mas lembre-se que a massa deve ficar bem sequinha, quando eu fiz não foi necessário mais de meia xícara de água.

Massa pronta, enrolar em papel filme e levar à geladeira. Cerca de 30 minutos já são suficientes para esticá-la. Usei a máquina de macarrão para deixá-la bem fininha, mas o rolo e muito braço conseguem o mesmo resultado. Quanto mais fina melhor.

Para o recheio frite em azeite duas porções de bacon em cubinhos (cerca de 100g). Quando estiver bem frito acrescente uma cebola finamente picada e deixe refogar até que ela fique transparente e só então junte 2 dentes de alho bem picadinhos.

Depois da refoga em bacon é hora de colocar 250g de carne moída para fritar. Frite até que ela esteja bem soltinha (evite carne congelada nesta receita pois solta muita água). Junte uma pimenta dedo de moça picada, sal e pimenta do reino a gosto, faça o deglace com cachaça. Tire a panela do fogo e acrescente 7 azeitonas pretas picadas e dois ovos cozidos também em pequenos pedaços. Misture tudo até que fique homogêneo, corrija o sal se necessário e estamos prontos para montar os pastéis.

Corte a massa em pequenos retângulos, capriche na quantidade de recheio que irá colocar no centro e feche a massa com a ajuda de um garfo. Esta receita rende 20 pasteis gordinhos com cerca de 10 cm.

A vantagem de fazer a massa em casa é que fresca ela tem mais elasticidade e isto permite que o recheio seja realmente generoso sem o risco de "rasgar" a massa na hora de fechar os pasteizinhos com o garfo e muito menos de estourar na hora de fritar.

Óleo quente, fritar até dourar e escorrer em papel toalha.


Nada como as férias para nos dar a liberdade de saborear coisas fritas e intensas sem culpa nenhuma. Pensar que agora só me restam os fins-de-semana para me proporcionarem esta sensação...

Pois é, 2012 começa assim, com muitas novidades, mas sem deixar de lado alguns velhos hábitos... como os longos posts de sempre. Fazer o que? Eu me empolgo quando começo a escrever...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Adeus ano velho...

Finalmente as festas chegaram. Este ano além de todos os preparativos gastronômicos, resolvi fazer alguns agradinhos. Presentes personalizados, muitas surpresas, muita decoração e aí já viu. Haja tempo e disposição.

Hoje finalmente está tudo pronto. A parte da ceia que dava para adiantar, como a sobremesa e a terrine da entrada, já estão prontas. As carnes na geladeira marinando. Alguns enfeites colocados e todos os presentes prontos, comprados e embrulhados.

Meus braços ainda doem de toda essa trabalheira e os olhos já estão fechando... mal posso esperar por deitar na minha cama.

Mas então a consciência pesou, afinal estou em débito com o Gastronomia Doméstica. Como dormir sem desejar um feliz Natal a todos que acompanharam as peripécias culinárias deste 2011?

Venho aqui desta vez de maneira breve apenas para desejar um Natal maravilhoso rodeado de pessoas especiais e que 2012 seja um ano doce... doce, salgado, picante, agridoce... enfim, que seja um ano repleto de sabores e sensações.

Para terminar deixo aqui uma receitinha com a intenção de adoçar a reta final de 2011 e dizer que após um curto período de merecidas férias, tudo volta ao ritmo normal. Promessa de ano novo!


Esta receita é bem fácinho e versátil. Nas quantidades que vou passar abaixo rende apenas umas 10 tortinhas pequenas (daquelas forminhas de 7cm de dimâmetro).

Para a massa misture meia xícara de manteiga, 1 xícara de farinha, 1 gema de ovo, 1/4 de xícara de água gelada, 1/2 xícara de açúcar e raspas de 1 limão.

Deixe a massa bastante homogênea manuseando apenas com a ponta dos dedos. Acrescente mais farinha caso sinta necessidade, mas lembre-se que é para ficar bem quebradiça mesmo, então cuidado com o excesso.

Massa pronta, enrole em papel filme e geladeira nela por uns 40 minutos.

Enquanto isso, prepare o recheio.

Em uma panela coloque 1 colher de sopa de manteiga. Quando estiver derretida acrescente uma xícara de leite onde já deve estar dissolvida uma colher (chá) de amido de milho, junte uma lata de leite condensado e 1 gema.

Sempre em fogo médio mexa até engrossar. Reserve, só utilize o recheio quando ele já estiver frio.

De volta à massa, retire da geladeira, faça pequenas bolinhas, coloque a bolinha no centro da forminha e com os dedos espalhe por todo o fundo e laterais da forma (untar a forma fica pela cautela de cada um, por causa da quantidade de manteiga da massa ela solta bem fácil). Uma dica legal é fazer vários furinhos na massa com um garfo, para não formar bolhas.

Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 20 minutos, ou até que esteja dourada.

Retire do forno e recheie.

Nesta versão de recheio coloquei mirtilos na massa, cobri com o creme e por cima joguei geléia de framboesa.

Para fazer a geléia de framboesa coloque em uma panela as frutas picadas e um pouco de açúcar. A quantidade de açúcar é bem variável, depende da doçura da fruta e de gosto pessoal, eu coloco pouquinho, cerca de 2 colheres de (sopa) para uma caixinha pequena de framboesas.

Acrescente também o suco de meio limão. Espere o açúcar derreter e a framboesa começar a soltar água, então coloque 1/4 de xícara de vodca. Isso ajuda a conservar a geléia por mais tempo e a dar brilho. Cozinhe em fogo baixo até obter a consistência desejada.


Em outra versão dispensei as forminhas, fiz pequenas bolachinhas com a mesma massa. Abri com o rolo deixando a massa entre dois plásticos para não quebrar e usei um cortador para fazer as bolachinhas.

Cobri com o mesmo creme, mas então coloquei maças caramelizadas com um pouquinho de canela polvilhada e uma cereja fresca.


A mudança da fruta muda completamente o sabor, a textura... são dois doces bem diferentes.

Essa massa e esse creme abrem espaço para trabalhar com o recheio que tiver à mão e esbanjar criatividade na apresentação.

Boas festas e mesa farta todos os dias!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Boicote

As festas de fim de ano estão chegando e com elas a cultuada orgia gastronômica que acompanha a data.

Assado, farofa, mais assados, arroz, bebidas, fartura transbordando da mesa e sobremesas mil. Sabendo de tudo isto, tem gente aqui em casa fazendo a compensação desde já.

Só pratos leves, muitos legumes, muita cor e nada de exageros.

Nesta onda um almoço recente que rolou foi composto por salada colorida de legumes seguida por truta ao molho de amêndoas.

Tudo muito light e principalmente: saudável.

Para a salada colorida cozinhamos vagem, cenoura cortada em tiras não muito finas (mais para corte jardineira do que julienne) e chuchu (sei lá porque, mas sempre achei que chuchu deveria ser escrito com x).

Sempre com um pouquinho de sal na água do cozimento.

Complete acrescentando mais uma cor com tomates sweet.


Tempero básico. Sal e azeite bastam, um orégano também é bem vindo.

Mais um acompanhamento, aquele arroz feito com leite de coco. E mais uma vez foi uma receita aprovada e altamente recomendada.

Temperamos a truta com sal, pimenta do reino, azeite, alecrim e suco de limão. Para seu preparo basta grelhar. Desta vez resolvemos utilizar o grill. O que sinceramente não foi uma boa idéia (nesta parte do texto já imagino minha irmã me chamando de chatinha e inconformada por eu falar isso pela 50ª vez). A questão do grill girou em torno da pele ter ficado grudada e ter que ser dispensada ao invés de ficar crocante e divina.

Mas, a truta ficou lindona, no ponto certinho e muito saborosa.


Adoro o sabor delicado da truta, principalmente se ela não for salmonada. Além de ser muito fácil para harmonizar com diversos molhos.

O preparo dos molhos pede apenas um pilão e bom braço. Comece com amêndoas torradas, salgadas e quebradas até o tamanho desejado utilizando o braço e o pilão, não necessariamente nesta ordem. Reserve.

No pilão erva-doce e azeite extra virgem. Esmague para extrair o sabor da erva. Então misture este azeite saborizado (sem as sementes da erva-doce) às amêndoas e complete com mais azeite para obter a consistência do molho.


Agora, para quem acha que não pode haver molho mais simples: alcaparras.

Para o molho de alcaparras basta lavá-las para tirar o excesso de sal e conservantes e então esmagá-las bem misturando com azeite (sempre o extra virgem quando for consumido cru).

Sim, assim fácil.


Amêndoas para quem é de amêndoas, alcaparras para quem é de alcaparras e os dois para indecisos como eu.


O molho de amêndoas combina com a delicadeza da truta, levemente adocicado e ainda aquela textura crocante que agrada em muito o paladar.

Já o molho de alcaparras contrasta com a truta fazendo também uma ótima harmonização por características opostas. Por dar um toque marcante ao prato e combinar muito bem com o alecrim do tempero.

Tá tudo muito bom. Tudo muito bem. Eis que chega meu cunhado com a sobremesa. Nada de salada de frutas ou gelatina. Hora de boicotar a dieta pré-Natal em grande estilo.

Com direito a doce de leite, creme de confeiteiro, açúcar refinado e massa folhada daquelas bem gordas, fininhas e crocantes.

A massa folhada utilizada foi daquelas compradas no mercado. Estendida sobre uma forma, bem furada com um garfo e forno médio até dourar.

O doce de leite foi escolhido com carinho, argentino, cremoso e doce na medida certa.

Açúcar de confeiteiro para polvilhar. Uma idéia para quem não usa sempre este açúcar e não quer comprar um pacote que ficará umedecendo no armário. Bata o açúcar refinado comum no liquidificador, ele ficará bem fininho como o de confeiteiro e pode ser preparado na quantidade desejada.

Faltou fazer apenas o creme de confeiteiro. Este foi preparado um dia antes (sim, o boicote foi premeditado).

Em uma panela deve-se bater sem parar 1 ovo inteiro, 2 gemas (sem pele como sempre), algumas gotas de extrato de baunilha e meia xícara de açúcar. Bater com vontade mesmo, até que fique bem clarinho.

Aos poucos então, acrescente meia xícara rasa de farinha de trigo, e continue mexendo bem para que não empelote. Hora de juntar devagar meio litro de leite, sempre mexendo e levar ao fogo brando.

Já falei que é para mexer sem parar? Com calma, espere engrossar. Para saber o ponto deve-se passar o dedo nas costas da colher de pau. Se não juntar é sinal que já está firme o suficiente. Finalize com uma colher (sopa) rasa de manteiga.

Dica, monte o mil folhas apenas no momento de servir. A massa folhada absorve a umidade do doce de leite e do creme e pode murchar se já estiver pronto há muito tempo.

A montagem segue o clássico de camadas e camadas. Massa, creme, massa, doce, massa, açúcar. Nesta versão 1000 é sim igual a 3. E me dizem que não há relatividade na matemática.


Totalmente a favor de boicotes deste tipo. Deste tipo assim, cremoso, crocante, de comer rezando.

Viva o boicote!!!!!

Depois, tem outra. Fim de ano não é hora de pensar em dieta. Se fizermos dieta agora estragaremos as promessas da hora dos fogos de artíficio.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quem espera sempre alcança

Toda família tem histórias que se repetem sempre que surge um determinado assunto. Aqui em casa uma dessas histórias acontece sempre que falamos de culinária ibérica, ou sobre a bisa que eu nunca cheguei a conhecer.

É sempre igual, iniciar um desses assuntos e ouvir minha mãe contar com brilho no olhar sobre o aroma que preenchia todos os cômodos da casa cada vez que sua avó resolvia fazer migas. Começava com banha derretida, e terminava com uma tortinha de pão cheia de alho que dizia ela ser uma das receitas mais apreciadas em sua infância.

Trinta anos se passaram e eu continuava só a ouvir essa mesma história sem nunca ter provado tal sabor, e em minha boca muita água se formava só de ouvir o nome deste prato.

Pois é... minha mãe fez esta tortura familiar por muitos anos, acumulando vontades sem nunca saciá-las. Até que um belo dia... eu me cansei, a tranquei na cozinha e fiquei parada na porta vigiando com o chicote na mão. Ela só sairia dali após ter preparado a melhor migas de todos os tempos.

Tudo bem, não foi exatamente assim, mas fiz bastante pressão para convencê-la a arriscar-se a fazer a receita por ela tão idolatrada como um pequeno sabor de sua infância e uma deliciosa saudade de sua avó.

Migas é algo bastante simples e tradicional na culinária portuguesa. Como minha mãe descreveu é uma receita de pobre, feita com pão e muitos temperos, e claro, deliciosa e inesquecível.

Para começar, deve-se umedecer o pão. Escolhemos o pão francês mesmo, mas pode ser feito com broa, pão de forma ou qualquer outro pão que tiver à mão. Em uma travessa o pão deve ser grosseiramente picado e coberto de água. Depois de 2horas, o pão já terá absorvido a água e então começamos a temperar essa mistura com sal, azeite, pimenta do reino, salsa e cebolinha.


Em uma frigideira aqueça azeite e frite um pouco de bacon, quando já estiver bem torrado, acrescente 3 dentes de alho picados e deixe dourar. Acrescente então o pão e mexa bem até secar a água. Quando a água começar a secar, modele o pão de modo que pareça uma omelete e deixe fritar até que crie uma casca.

Vire para formar essa mesma casquinha do outro lado.

Básico, simples e como não podia ser diferente: um espetáculo.


Espetáculo este digno de ser assistido de camarote. E foi justamente isto que nosso prato principal do dia fez, assistiu a tudo de dentro de forno, confortavelmente sentado.

Para fazer o frango sentado a única coisa que é de fato fundamental é ter a forma própria para isto. Parece uma forma de pudim, mas com a parte central mais alta e as laterais bem baixinhas. Importante é sempre antes de preparar um frango, lavá-lo bem com bastante limão. Isso serve para tirar todo o cheiro de "granja" e qualquer eventual textura desagradável. Depois de lavar, vamos ao tempero.

Desta vez optamos por tempero pronto. Usamos sopa de cebola (daquelas de saquinho mesmo, mas própria para culinária), bastante azeite e o caldo de 2 laranjas.

O franguinho fica ali, fechado em uma travessa, todo besuntadinho até a hora de ser devidamente acomodado na forma, ter sua roupa muito bem ajustada (sim, estamos falando da pele presa na parte superior com o auxílio de palitos), com direito a luvas e sapatos (sim, cubra as pontas das asas e das coxas com alumínio).

Na parte inferior da forma acomode algumas batatas com um pouco de sal. A gordura e o tempero do frango irão escorrer para o fundo da forma, deixando as batatas saborizadas. De tempos em tempos, regue o frango, ou com o líquido que escorreu ou caso ache que não é suficiente, com um pouco de água fervente.

Demora cerca de 1hora e meia para que ele fique bem dourado.


O frango fica suculento, assado por igual, com pele crocante e com o mínimo necessário de gordura, sem falar das macias batatinhas que completam o cardápio.


Cardápio este aliás, que merece uma salva de palmas. Afinal para descobrir finalmente o sabor das migas até o frango já estava esperando sentado.