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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Zazueira


Esperar é uma das coisas que mais fazemos nesta vida. Esperamos 9 meses para nascer, contamos os dias para a chegada de datas comemorativas, esperamos por uma promoção, por um aumento, pelo verão, pelo inverno, por uma ligação, por uma estréia... Viver é ter muitas expectativas.

E é neste clima de expectativas que mal podemos esperar para ver a patota crescer.

Preparamos o quarto, fizemos enxoval, lavamos roupinhas, lemos tudo a respeito, pesquisamos muito e agora estamos roendo as unhas com as datas de mudança de fase da lua decoradas e todas as outras superstições que cercam este momento.

Apostamos que cada dia será o dia de sua chegada... mas parece que essa menina continua tranquila e feliz em sua atual morada, sem muita pressa de conhecer o pessoal do lado de fora. Tudo bem, ela está certíssima, ansiedade não leva ninguém a lugar nenhum e sabemos que em breve ela estará por aqui e antes do que conseguimos imaginar, teremos mais alguém para sugerir cardápios, inventar receitas e compartilhar sabores e momentos especiais.

Trabalhando com toda esta ansiedade, fazer pratos demorados que exigem muito tempo de espera seria uma verdadeira tortura. Sendo assim, nada mais justo do que optarmos por um cardápio ligeiro para o almoço.

Uma boa dica para estes dias são os petiscos. Não demoram mais de 5 minutos para serem dispostos sobre a mesa como um pequeno couvert. A melhor parte é que não precisamos esperar nada, basta montar a mesa e ir beliscando até mesmo enquanto prepara-se o prato principal.

Os petiscos escolhidos para este dia foram o queijo camembert, damascos, tâmaras, amêndoas torradas e salgadas e castanhas de caju. Isso lembra alguma coisa? Claro, programar estes petiscos para o cardápio pode ser a desculpa que se esperava para uma deliciosa tarde pelo mercadão.

petiscos... a desculpa que se espera para ir ao mercadão

Aproveitamos e já abrimos a garrafa de vinho para nos acompanhar. Abrimos o Undurraga Aliwen Reserva pinot noir, um chileno que nos trouxe exatamante o que buscávamos: equilíbrio. Toques de frutas vermelhas e levemente amadeirado com todos os elementos bem dosados, inclusive o álcool que torna-se bastante sutil ao paladar.

aliwen pinot noir, equilíbrio â mesa

Equilíbrio à mesa e fome controlada pelos petiscos, hora de iniciar o preparo do prato mais demorado do dia, o risoto. É importante para este prato ter um caldo pronto na geladeira ou no freezer, em momentos de incontrolável ansiedade é totalmente admíssivel (embora não aconselhável) dissolver dois tabletes de caldo pronto em dois litros de água fervente. Uma cebola na panela aquecida com azeite até dourar, acrescente o arroz arbóreo e deixe fritar rapidamente. Coloque uma dose de vinho branco para liberar o amido e aos poucos acrescente o caldo para o cozimento, mexendo sempre.

Quando o arroz já estiver al dente, junte as bolinhas de muçarela de búfala e os tomates sweet, ambos cortados ao meio. Finalize com uma colher de manteiga e capriche na salsinha para dar uma cor, corrija o sal se necessário e está pronto.

Prontinho para acompanhar nosso filé com crosta de amêndoas. Tempere filés de baby beef, com cerca de 1,5cm de espessura, com sal, pimenta do reino, alho, azeite e vinho branco, deixe marinar pelo tempo que a ansiedade permitir. Enquanto isso pique amêndoas torradas e salgadas em pedaços irregulares e misture à farinha de rosca, reserve.

Agora passe apenas um dos lados dos filés em farinha de trigo (uma camada bastante fina), depois no ovo batido com um pouco de sal e por último na farinha de rosca com amêndoas. Frite em azeite primeiro com a crosta para baixo e depois vire. Para que fique bem rosado no centro, 4 minutos de cada lado são suficientes. 

Ao terminar de fritar os filés utilize a mesma frigideira para o preparo do molho. Doure uma colher (sopa) de farinha de trigo em uma colher (sopa) de manteiga. Despeje uma xícara de vinho do porto e deixe reduzir até engrossar.

risoto de tomates sweet e muçarela de búfala e filé com crosta de amêndoas

Um daqueles pratos cheios de estilo, mas que não cansam nem quem o prepara nem quem o espera salivando à mesa. 

A crosta trouxe a crocância ideal para contrastar com a cremosidade do ristoto. Já o sabor mais marcante ficou por conta da intensidade do vinho do porto presente no molho. 

Para ser completo nosso cardápio não poderia deixar de ter um pouco de doçura. Rabanadas com um toque de vinho do porto.

rabanadas, poque ninguém aguenta esperar até o natal...

Nunca achei justo ter que esperar até o natal para me deliciar com rabanadas. E comê-las assim, ao acabar de fritar, as torna ainda mais especiais, pois ficam crocantes por fora, um verdadeiro creme por dentro e com sabor de leite condensado e vinho do porto... perfeito.

O almoço ficou pronto rapidinho, assim ninguém teve a fome como tempero e ainda conseguimos  manter a calma durante a espera.

Espera esta que continua... Hoje temos o 1º dia de lua cheia e ainda nenhuma novidade... Mais dia menos dia, ela estará por aqui... 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Onde paramos?

Ah sim! Voltaremos no tempo há exato um mês, porque nossas histórias por aqui pararam no Jingle Bell.

Mas se hoje é 25 de janeiro, não posso deixar de dar parabéns à cidade de todas as cidades. Cidade que eu digo e repito que amo de paixão. Parabéns pelos 458 anos SP.

Agora sim, de volta à Noite Feliz.

Natal é a época em que mais tempo ficamos na cozinha aqui de casa. Muitas opções, muito trabalho, mas como sempre, compensado pelo sabor de cada prato.

Como a ceia só é servida depois que todos estão presentes alguns beliscos não fazem mal a ninguém.

Uma travessa com avelãs e frutas secas, como damascos e tâmaras é sempre bem vinda.


Assim como a já tradicional torta da mamãe. Dessa vez de frango. A massa é a mesma do post Reciclagem e pode ser conferida aqui.

Para o recheio cozinhe 2 peitos de frango, temperados apenas com sal, na pressão por 20 minutos. Depois de cozidos, desfie o frango e reserve.

Em uma panela coloque azeite, uma cebola grande finamente picado e 2 dentes de alho igualmente picado, refogue até que a cebola fique transparente. Acrescente o frango desfiado e deixe fritar, mexendo de vez em quando.

Depois de frito junte dois tomates sem pele, uma porção generosa de azeitonas pretas e uma pimenta dedo de moça, todos bem picados, corrija o sal e refogue até que o tomate murche.

Uma dica para apurar o sabor é acrescentar um pouco do caldo onde o frango foi cozido e deixar ferver por alguns minutos com a panela tampada. Abra a panela, deixe o caldo secar. Tire do fogo e acrescente 1 copo de requeijão cremoso, salsa e cebolinha e 2 ovos cozidos picados finalizam o recheio.

Espere esfriar bem antes de usar.


Massa bem quebradiça e recheio cremoso e bem temperado. Com um petisco desses tem como ter pressa em servir o jantar?

Com ou sem pressa os pratos aos poucos aparecem na mesa enchendo os olhos dos convidados. A começar pela terrine servida na entrada.

Esta terrine é um pouquinho diferente da que fiz no post Fanáticos por berinjela. A forma usada é a de bolo inglês, untada com óleo. Foram usadas 2 berinjelas grandes cortadas em rodelas e passadas na farinha de trigo levemente e fritas em azeite suficiente para dourá-las dos dois lados.

O creme foi feito a partir do molho bechamel, acrescentado de uma gema e um pote de cream cheese, além de um pouquinho de noz moscada.

Uma das camadas é de tomate e cebolas com bastante manjericão fresco picado. Dessa vez coloquei o tomate e a cebola crus, pois depois de alternar camadas de berinjela, molho, cebola e tomate com azeite e manjericão, levei ao forno brando em banho maria por cerca de 1 hora e meia. A primeira hora coberta por papel alumínio.

Esperar esfriar, levar à geladeira de um dia para o outro. Pois é, os trabalhos começaram cedo por aqui.


Ficou ainda melhor desta vez. Mais fácil de fatiar sem desmontá-la e os sabores ainda mais mesclados. Arrancou elogios até de quem não é tão fã de berinjela assim. O toque final foi dado pelo molho de mostarda com mel (com aquele toque de azeite).

E se uma entrada assim inspirada já faz sucesso, imagine duas. Não tem como evitar, Natal é sinônimo de mesa farta e acabamos sempre exagerando na montagem do cardápio.

Já que ano passado o tender foi muito apreciado, resolvemos inventar de serví-lo em finas fatias para serem saboreadas com pão italiano e regado pelo bom e velho azeite.

Temperado de um dia para o outro, para ter aquele tempo básico de uma boa marinada. O primeiro passo é fazer pequenos cortes sobre o tender formando losangos. Nas pontas destes losangos espetar cravinhos da índia para saborizar.

Dentro de um saco plástico coloque o tender, meia xícara de melado de cana e o suco de 2 laranjas. Feche o saco plástico, mexa bem e leve à geladeira. De tempos em tempos dê uma nova sacudida no tender e vire de lado, para que absorva bem o tempero de maneira uniforme.

No dia seguinte asse o tender a 200°. Para cada quilo de tender deixe assar por 20 minutos. Tire do forno, tire os cravos, espere esfriar e fatie bem fino.

Volte a forma ao fogo e deixe reduzir o molho até que esteja com a consistência de um caramelo. Sirva o molho junto com o tender.


Fatias agridoce de tender com pão italiano. Tudo muito bom, tudo muito bem e receita aprovadíssima, mas prepare-se para a reciclagem de tender. Como as fatias ficam finas acaba rendendo muito, recomendado para grandes famílias ou para exercitar a criatividade na hora do reaproveitamento.

Ainda nas entradas, algo que não pode faltar é uma boa salada. Fresquinha, leve, com folhas de rúcula, palmito, tomatinhos sweet, azeitonas e muçarelinha de búfala.


Afinal algum desses pratos tem que fazer com que eu me sinta uma pessoa light. Ainda mais quando servida junto com molho de iogurte e hortelã. Muito fácil, basta misturar iogurte, hortelã picada, sal e azeite e servir sobre a salada. Refrescante e delicioso.

Chega de entradas, vamos ao acompanhamento. Cuscuz marroquino, lembra-se dele? Fizemos esta receita no Churrasco da Cumeeira.

Em uma frigideira alta, coloque água, um pouco de vinho branco, sal e azeite e deixe esquentar. Não precisa ferver, a água deve ficar apenas morna. Desligue o fogo e acrescente uma porção de uvas passa e o cuscuz marroquino (a proporção de líquido para o cuscuz é de 1 para 1). Espere 5 minutos e solte com a ajuda de um garfo.

Quando já estiver bem soltinho tempere com canela e noz moscada, coloque também um pouco mais de azeite e sal e para finalizar junte castanhas (usamos avelãs) e frutas secas (tâmaras e damascos).


Acompanhamento diferente, rápido de fazer e de sabor incrível e impressionante.

Finalmente a estrela da festa. O prato principal. Este ano nada de peru, optamos por uma receita de lombo com abacaxi.

Só para variar, tratando-se de carnes vamos começar pela marinada feita no dia anterior. O lombo deve estar aberto em manta. Se não souber como fazer basta pedir para o açougueiro. Tempere com sal, azeite, pimenta do reino, bastante limão, alho, ramos de alecrim e vinho branco. Mais uma vez coloque dentro de um saco plástico e leve à geladeira. Faça como no tender. Dê aquela sacudida de tempos em tempos.

Enquanto isso... faça o recheio de abacaxi. Em uma panela coloque azeite, uma colher de manteiga com sal e duas cebolas picadas. Deixe dourar bem e então acrescente dois abacaxis picados sem o miolo. Junte também uma xícara de açúcar mascavo, uma generosa pitada de sal, um maço de hortelã finamente picada, pimenta do reino, uma casca de canela, noz moscada ralada (mais ou menos umas duas colheres de chá) e alguns cravos da índia para saborizar.

Deixe ferver bastante até engrossar. Tome cuidado, espirra bastante enquanto ferve. Tire do fogo, espere esfriar e então peneire esse molho.

A parte sólida será usada para rechear o lombo e o caldo será servido como molho junto com o prato.

No dia seguinte... tire o lombo da geladeira. Com ele aberto passe uma camada do recheio e então enrole o lombo como um rocambole, faça esta manobra com muito carinho para que o chutney de abacaxi não escape. Amarre com barbante e coloque em uma forma.

Hora de ir ao forno médio. Durante uma hora deixe o lombo assar tranquilamente com a parte da gordura para cima, regue de vez em quando para que ele não fique seco e não há necessidade do alumínio.

Após essa hora tire o lombo do forno, corte e retire o barbante. Coloque batatas ao redor da forma e cubra o lombo com fatias de bacon. Volte ao forno por mais uma hora, ou até que as batatas estejam macias e o bacon bem crocante.


Fala sério, lombo úmido, com recheio de abacaxi bem apurado, batatas douradas e macias com o sabor da carne e bacon. Podia ser melhor?

Só de ver a foto fico aqui babando. Ainda bem que não é preciso esperar o próximo Natal para que as receitas sejam reprisadas...

Aliás até hoje ainda não consigo entender porque as rabanadas só são lembradas no Natal. Algo tão simples e delicioso deveria estar presente durante todo o ano para adoçar os dias ruins.

Enfim, é exatamente a mesma receita do ano passado que está no post Tradição natalina e pode ser vista aqui. Porém... este ano descartamos o pão italiano. Fizemos com bisnaguinhas amanhecidas. Ficou ainda mais molinha. Delícia!


Falando em tradição natalina... às vezes dá vontade de importar algumas tradições. Como por exemplo aqueles bonequinhos de gengibre feito em larga escala no Natal dos Estados Unidos. Retratado de maneira tão simpática no Shrek e aparentemente tão deliciosos e bonitinhos.

Procuramos em vários lugares e nada de encontrarmos as forminhas certas. Também achamos a receita de gengibre um tanto quanto forte e não gostamos muito da idéia de usar glacê na decoração... é... parece que importar tradições não é o nosso forte.

Usamos então apenas a idéia de fazer biscoitinhos em formato de bonequinhos e inventamos tanto quanto possível criando talvez uma nova tradição aqui em casa. A tradição dos monstrengos de Natal.

Os monstrengos são biscoitos deliciosamente amanteigados e crocantes. Coloque em uma travessa 2 xícaras de farinha de trigo, 200g de manteiga gelada em cubinhos, 1 colher (sopa) de cacau em pó, 1 xícara rasa de açúcar e 1 xícara generosa de castanhas do Pará quebradas em pequenos pedaços.

Misture tudo com as pontas dos dedos até obter uma massa homogênea. Enrole em papel filme e leve à geladeira por 1 hora.

Uma hora depois... coloque a massa entre dois pedaços de papel filme e estique com o rolo. Deixe com aproximadamente meio centímetro de altura e corte com o auxílio de cortadores de biscoito. Como disse nós não encontramos o cortador certo, usamos um de anjo e adaptamos para o formato desejado.

Leve ao forno a 180° até que asse. Se o forno estiver quente é bem rápido, uns 10 ou 15 minutos são mais do que suficientes. Para saber o ponto olhe embaixo do biscoito, estando dourado, pode tirar do forno.

Espere esfriar e então faça os desenhos com chocolate branco e preto derretido. Faltou habilidade por aqui... mas até que os monstrengos ficaram simpáticos.

Dê um choque térmico no chocolate deixando os biscoitos já decorados na geladeira por uns 5 minutos. Coloque em uma travessa com tampa para que permaneçam bem crocantes.


Temos um ano para procurar o cortador certo e treinar a habilidade, aí quem sabe? Talvez ano que vem eles fiquem mais bonitinhos.

Bonitinhos ou não o sabor desses amanteigados tem tudo para torná-los tradicionais em dias de festa.

Dias de festa não servem apenas para fazer muitas receitas já testadas e tradicionalíssimas. Também são uma ótima oportunidade para testar uma nova receita, daquelas que temos vontade de fazer há tempos. Foi o caso do brownie feito pelo meu cunhado.

Há tempos ele procura uma boa receita, do tipo que fique com a superfície bem quebradiça e o centro bem úmido. Que não seja um simples bolo de chocolate, mas sim um verdadeiro brownie para ser acompanhado de sorvete.

Bom... ainda não foi dessa vez que chegamos lá, mas estamos cada vez mais próximos de descobrir que receita é esta. De qualquer forma ficou bastante intenso e é claro... com sorvete ficou ainda melhor.

Na batedeira 6 ovos inteiros e 450g de açúcar. Bater até que fique bem clarinho e cremoso, juntar devagar 12 colheres (sopa) de farinha de trigo. Depois de bem batido, reserve.

Em banho maria derreta 150g de manteiga e 450g de chocolate meio amargo. Misture à massa reservada e quando estiver bem uniforme acrescente algumas nozes quebradas.

Despeje em forma untada e coloque pequenas quantidades de chocolate picado antes de assar. Forno quente por aproximadamente 40 minutos.


As cerejas servem para dar o toque natalino e deixar a foto mais bonita. Simplesmente essenciais.

Por último, mas não menos importante, uma sobremesa gelada aprendida com Jamie Oliver e feita caprichosamente pela mamãe. A bomba gelada de Natal que ela criativamente gostou de chamar de sorvetone devido as suas liberdades poéticas sempre tão bem vindas.

Retire do freezer 1 litro de sorvete de passas ao rum para que ele vá amolecendo enquanto prepara-se a receita. Forre uma tigela grande com papel filme com bastante sobra nas bordas (vou entregar a mamãe e dizer que ela esqueceu desta parte, não foi nada legal presenciar a agonia dela na expectativa de ver se a sobremesa sairia da forma sem desmanchar inteira, no fim, deu tudo certo... ainda bem).

Corte um panetone de 1kg em fatias. Forre o interior da tigela com essas fatias sem deixar sobras. Regue com uma mistura de suco de laranja e Contreau.

Coloque metade do sorvete. Sobre o sorvete junte uma xícara de frutas cristalizadas picadas (foram usados melão, damasco e cereja) e uma porção de amêndoas torradas e quebradas. Pressione um pouco com as costa de uma colher.

Acrescente o restante do sorvete. Cubra com mais algumas fatias do panetone fazendo uma ‘tampa’ e regue com a mesma mistura de suco de laranja e Contreau.

Puxe as sobras laterais de plástico filme para cobrir. Com a ajuda de um prato, pressione bem e leve ao freezer de preferência de um dia para o outro.

Retire do freezer meia hora antes de servir. Cubra com chocolate ao leite derretido e enfeite com as famigeradas cerejas pra lá de fotogênicas.


Ufa! Acho que não esqueci de nada. Muito trabalho, mesa repleta de sabores diferenciados para agradar todos os paladares. Ceia com direito a bacon e sorvete para não se ter do que reclamar. Alguns quilos a mais para ter uma promessa na ponta da língua na virada do ano... aiai.

Melhor do que isso? Só poder compartilhar tudo isto com pessoas especiais. Natal inesquecível dos petiscos até a sobremesa.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tradição Natalina

Começo esse post pedindo desculpas. Este mês ficou difícil manter o blog atualizado. Estávamos todos muito entretidos com o Natal.

Com a pesquisa de receitas tradicionalíssimas, pensando em cada ingrediente da ceia com cautela,  nos presentes, nos enfeites e em todos os detalhes necessários para que a casa ficasse tomada pelo espírito de Natal.

Deu certo. Ficou tudo do jeito que planejamos, mas precisamos dedicar muito tempo e trabalho para tal.

Começamos cedo, todos aqui em casa como formiguinhas e sempre com muito alto astral, em meio a risadas e saudáveis provocações, e só paramos na hora de deitar, confesso que, ainda deixando algum trabalho para a minha mãe no dia seguinte.


Mas valeu a pena. Todos ficaram bem acomodados, a casa ficou linda e as comidas, como sempre, um capítulo a parte.

Aliás, muitos capítulos a parte, porque pela quantidade de comida poderia escrever diversos posts, um só dos acompanhamentos, um para cada assado, mais um para as sobremesas, mas...

Em breve teremos nova ceia, dessa vez para recepcionar 2011, já estão nos planos um churrasco, uma nova receita para harmonizar com o vinho que ganhamos no Natal, uma torta maravilhosa feita com a reciclagem do peru e bolos de caneca, sem falar da eleição do melhores do ano.

Então terei que pedir desculpas mais uma vez, agora porque não conseguirei ser breve e esse post será quase um livro de tão extenso.

Fica aqui a minha promessa para o próximo ano, tentarei ser mais breve e manter a frequência de 3 vezes por semana nas atualizações do blog. Aproveito também, antes de começar as receitas, para dizer que espero que o Papai-Noel tenha passado na casa de todos e deixado muita paz e esperança. E torço para que em 2011 haja muitas receitas a serem testadas, muitos novos sabores a serem provados e tudo regado a muita champagne e felicidade.

Agora sim, chega de conversa e vamos às receitas.

Cardápio Natalino:

Acompanhamentos: Maionese, arroz natalino e farofa
Assados: Tender ao Molho de Abacaxi, filézinho de lombo de porco e peru
Sobremesa: Pavê e rabanadas

Para fazer a maionese comece cozinhando dois peitos de frango, sem pele e sem gordura, junto com 1 quilo e meio de batatas descascadas, azeite e sal, minha mãe também utilizou dois cubos de caldo de frango.

Depois de tudo cozido esmague as batatas e desfie o frango. Misture tudo e tempere com bastante azeite, um pouco de suco de limão (meio limão mais ou menos), pimenta do reino, uma pimenta dedo de moça bem picadinha, sal e salsa e cebolinha (não podia faltar). Acrescente duas maçãs verdes picadas sem casca e junte aos poucos a maionese (utilizamos dois potes de 500g). Deixe um pouco, cerca de umas 2 colheres bem cheias de maionese, para finalizar dando brilho.

E claro, não esqueça da tradicionalíssima (e um tanto quanto cafoninha) flor de casca de tomate para enfeitar, empolgue-se, não se contente apenas com isso, aproveite para fazer um arranjo completo com salsinha e azeitona e divirta-se fazendo caminhos sobre a maionese com um garfo.


Afinal, a graça do tema tradicionalíssimo é resgatar os sabores da infância, e já que comemos primeiro com os olhos, as apresentações também devem ser tradicionalíssimas. E não há nada que lembre mais o Natal de quando eu era criança do que toda essa elaborada montagem da maionese.

Brincadeiras e breguices a parte, o mais importante é que fica muito boa. A maçã é responsável pela crocância e acompanha bem qualquer tipo de carne. Não vou me estender descrevendo esse sabor, porque melhor do que a textura e a combinação de ingredientes, o que caracteriza mesmo esse prato é a nostalgia.

Continuando os acompanhamentos, um arroz natalino que se preze não pode ser cozido simplesmente em água, também não basta ficar branquinho e soltinho. Ele tem que ter muitos ingredientes extras e típicos.

Cozinhamos o arroz substituindo uma das xícaras de água do cozimento por uma xícara de vinho branco, de resto tudo como o arroz do dia a dia, cebola, óleo, sal.

Depois de pronto misturamos nozes e castanhas do pará moídas, salsa e cebolinha (lógico) e uvas passas hidratadas previamente com água, raspas de laranja e um toque de Contreau. Para finalizar, queijo parmesão ralado.


Fica bem interessante, principalmente pelo detalhe do vinho branco.

Para finalizar os acompanhamentos, fizemos uma farofa (afinal, carne combina mesmo é com farofa). Não inventamos não. Farofinha básica, com azeitonas pretas, bacon, cebola, ovo cozido e farinha de mandioca. 

Os acompanhamentos por melhores que sejam não podem tirar o brilho das estrelas da noite, ou seja, dos assados.

Falando em assados, o primeiro que irei descrever é o tender. Bata no liquidificador duas xícaras de vinho branco com algumas fatias de abacaxi, misture a esse molho um pouco mais de meia xícara de açúcar mascavo, meia colher (chá) de gengibre em pó e uma pitada um tanto quanto humilde, de cravo em pó. Leve essa mistura ao fogo alto e deixe ferver. Abaixe o fogo ao mínimo e cozinhe, mexendo até dissolver o açúcar.

Faça cortes diagonais no tender, formando vários losangos, e regue com o caldo preparado anteriormente.

Para que a marinada seja bem absorvida uma dica legal é deixar tudo dentro de um saco plástico, e lembrar-se de mexer de vez em quando para agitar o líquido e assim fazer com que a carne fique bem envolvida no tempero. 

Algumas horas depois, coloque em uma forma junto com a marinada e cubra com papel alumínio, leve ao forno pré aquecido a 200° por cerca de 1 hora. 

Passado este tempo, retire o alumínio e asse por mais 30 minutos, regando quando necessário para que ele mantenha-se úmido. Deixe até que fique bem dourado. Para finalização regue com bastante azeite e deixe assar por mais alguns minutos, e só então retire do forno.  Espete cravinhos da índia nas intersecções dos cortes e sirva acompanhado de fatias de abacaxi grelhadas, se quiser, enfeite as fatias colocando uma ameixa sem caroço no lugar do miolo do abacaxi.


O gosto das especiarias ficou na intensidade certa, aromatizando e dando um toque exótico, mas ao mesmo tempo sem sobrepor-se ao sabor do tender, e a acidez do abacaxi deixou a carne tenra enquanto o leve adocicado quebrou um pouco o sabor forte característico dos defumados.

Sem falar que a foto do tender bolinha com os cravos, acompanhado dos abacaxis é uma das mais tradicionais das festas, não?

Continuando. Aproveitando o forno já aquecido por ter acabado de assar o tender, colocamos para assar os filézinhos de lombo de porco.

Esse assa bem rápido (menos de 1 hora). Rebobinando para falar do tempero da marinada.

Cebola e alho batidos no liquidificador, vinho branco, sal, salsa, pimenta do reino, azeite e limão. Simples assim.

Levamos ao forno à 200°. Assim que estiver dourado, está pronto. Deve ser temperado com antecedência mínima de 12 horas e estar em temperatura ambiente antes de ir ao forno, isso evita que fique ressacado. Mais uma dica legal, essa serve para qualquer tipo de carne e preparo. Nunca fatie a carne quando ela acabar de sair do forno ou da brasa. Parti-la ainda quente enrijece as fibras e faz com que perca maciez. Espere de dez a quinze minutos antes de cortar.

Depois de tirar do forno regamos com mais suco de limão.


A carne ficou suculenta e macia. Preparo básico, pouco trabalhoso, bastante rápido (para um assado) e extremamente saboroso. Acho que das comidas de Natal esta é a com mais cara de cotidiano, de comidinha caseira mesmo.

Agora sim, senhoras e senhores, tenho a honra de apresentar-lhes o astro da festa, o tão esperado peru.

Antes da ceia pegamos inúmeras dicas de preparo para que ficasse o mais tradicional possível. Só de dicas daria para escrever um post nada curto.

Resumidamente, temperar com bastante antecedência, deixar marinando no mínimo por uma noite, nunca cobrir com alumínio, porque o alumínio faz o calor ficar circulando e transforma o assado em cozido, levar o peru ao forno quando este já estiver bem quente, para criar uma crosta rapidamente e assim não perder umidade e a dica que eu mais gosto (nem vou comentar que é porque a primeira vez que vi isso foi com o Cutis Stone), espalhe manteiga entre a carne e a pele da ave, para mante-la úmida, macia, e deixar a pele crocante (fica ainda melhor se misturar algumas ervas à manteiga, mas não foi o nosso caso), colocar o peru para assar de um lado, depois do outro e só para finalizar colocá-lo com o peito para cima, assim ele assa por igual, sem ficar exposto demais em uma mesma posição fazendo com que determinadas partes ficam ressacadas e outras não cozinhem direito.

Além de todas essas recomendações de preparo, descobri também que há toda uma etiqueta para servi-lo, como amarrá-lo de "perninhas cruzadas" para que fique em uma posição mais elegante à mesa, assim como prender as asas com palitos para deixa-las bem próximas ao corpo.

Não é a toa que ele é tão requisitado nas festas, o peru é praticamente um lord com todo um manual de bom comportamento a ser respeitado.

Mas o mais importante ainda é o tempero, por isso, já que o peru que compramos veio temperado, antes de começar precisamos dar um bom banho nele. A intenção é dar um toque pessoal e fazer um tempero a nosso gosto, então só depois dele estar bem limpinho é que preparamos a marinada.

Cebola e alho batidos no liquidificador, vinho branco, pimenta do reino, sal e duas latas de cerveja e deixá-lo marinando por um longo dia.

Antes de assar colocamos a manteiga entre a pele e a carne e seguimos todas as dicas que encontramos, fizemos tudo sem pressa, sem alumínio e virando para que o cozimento acontecesse de maneira uniforme.

Na forma acrescentamos cebolinhas, batatinhas, tomatinhos (todos assim no diminutivo) e castanhas portuguesas previamente cozidas. 


Como se não bastasse o peru ficar um espetáculo, saboroso, macio, suculento e perfeito, ainda fizemos um molho para acompanhá-lo. O mesmo molho do nosso arraiá gastronômico, só que substituimos o pinhão, por castanhas portuguesas em pedaços.

Já tínhamos aprovado esse molho da primeira vez e relembramos o porquê. Fortíssimo candidato ao melhores do ano.

Sei que Adam Richman ficaria orgulhoso do meu prato. E após experimentar um pouco de cada opção disponível, ainda não tinha acabado, pois apenas chegara à hora dos doces.

E há doce mais tradicionalíssimo de Natal do que rabanadas?

Não requer muito tempo disponível, nem ingredientes especiais, eis porque não compreendo a ausência delas em outras épocas do ano.

Enfim, fizemos com pão italiano. Com o fue misturamos uma lata de leite condensado, duas vezes a mesma medida de leite, uma dose de contreau e quatro ovos. Faça isso de maneira delicada para que não espume demais. Agora basta umedecer as fatias de pão (não muito finas) nessa mistura e fritar em óleo quente. Deixe-as escorrer em papel toalha para tirar o excesso de óleo, e depois de esfriar um pouco passe no açúcar e na canela.

Para não deixá-las tão tradicionais pode-se fazer várias invencionices nessa mistura. Como colocar vinho (nós colocamos o licor), essência de baunilha e até leite de coco, vai da criatividade e dos ingredientes que quem for preparar tiver à sua disposição.


Rabanadas entram na lista das receitas que não tem erro e são sucesso garantido. Para mim, quem não gosta de rabanadas bom sujeito não é...

Quanto vale essa ceia? Não diga ainda, porque ainda temos o pavê natalino (Jingle bells, jingle bells, jingle all the way...)

Na verdade, os preparativos do dia 24 começaram com o pavê. Afinal, sobremesa não é o nosso (meu) forte e precisávamos de tempo para erros e deixá-lo gelando até a hora de servir.

Usamos bolacha champagne umedecidas em uma mistura de leite, chocolate em pó e conhaque. 1ª camada, bolacha; 2ª camada, creme branco com nozes picadas; 3ª camada, bolacha, 4ª camada, leite condensado cozido com nozes picadas; 5ª camada, bolacha; 6ª camada, creme branco com nozes picadas; 7ª camada, enfeites tradicionalíssimos de natal.

Me parece que só preciso falar da receita do creme branco.

No liquidificador batemos uma lata de creme de leite, duas vezes a mesma medida de leite, meia lata de leite condensado, um pouquinho de contreau (abusamos do licor), 100g de manteiga, duas gemas e três colheres (sopa) de maizena.

Depois de bater bem, leve ao fogo até engrossar. Espere esfriar e só então misture as nozes e o utilize no pavê.


Com ceias assim, descobri porque o Papai-Noel é tão gordinho, não há regime que resista a tanta tradição... Ho Ho Ho!