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terça-feira, 17 de julho de 2012

Caseirinho

Fome saciada pela divina omelete com gorgonzola e a generosa antecoxa de frango, hora de voltar à cozinha e preparar a marmita do dia seguinte.

Dizem ser coisa de pobre, mas sinceramente? Nada melhor do que quebrar o expediente com um almoço com aroma e sabor de casa. É para mim algo como um momento de meditação.

Por isso, mesmo depois do jantar, quando bateu aquela vontade de sofá, espantei a preguiça e fui lidar com as panelas, preparar algo saudável, cheio de sabor e com alma bem doméstica.

A começar por uma boa saladinha. Daquelas que basta misturar o que se tem na geladeira, neste caso, folhas de espinafre rasgadas, ricota e damascos picados. Sal e azeite bastam para o tempero.

saladinha de espinafre com ricota e damasco

Já o prato principal exige um pouco mais de zelo, mas não deixa de ser também uma grande mistura de ingredientes.

Cortei dois bifes de contrafilé em tiras, temperados com alho, azeite, sal e pimenta-do-reino. Frite em uma panela com um pouco de azeite. Quando já estiver bem fritinho, acrescente uma cebola em fatias finas, Uma porção de azeitonas pretas picadas, e uma abobrinha picada em cubos de tamanhos irregulares.

Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. Caso necessário, adicione um pouco de água.

Adicione meio maço de hortelã picada e uma generosa porção de amêndoas torradas. Corrija o sal e está pronto para servir.

cozido de contra-filé com hortelã e amêndoas

Múltiplas texturas e sabores complementares que deixam este picadinho bem caseirinho e despretensioso com ares de comida de chef.

Para acompanhá-lo, arroz com cenourinha, para agregar mais uma cor ao cardápio e torná-lo ainda mais nutritivo.

arroz com cenourinha pra completar um cardápio saudável...

Agora, algo bem característico da administração doméstica, é o reaproveitamento. E foi assim que depois de saborear este cardápio no almoço e no jantar, o final do picadinho ainda foi parar no processador.

Juntou-se em uma grande panela à uma lata de tomates pelados previamente batida no liquidificador com um pouco de água, um pouco mais de sal, salsa e cebolinha e estava pronto o molho de um belo espaguete totalmente sustentável.

macarronada sustentável
Assim, criando e recriando a semana foi passando. Até que chegou a sexta-feira, onde tudo voltou ao normal.

Uma mamãe estava de volta ao lar, pronta para ser recebida de braços abertos por uma filha cheia de saudades, com direito a casa limpa e arrumada, comida na geladeira e uma cachorra feliz e bem alimentada que abanava o rabinho sem parar, mas nada de dar uma lambidinha de boas vindas...

domingo, 3 de abril de 2011

Gente miúda na cozinha


Não é novidade para ninguém que o livro Gente Miúda na Cozinha me acompanha desde a mais tenra infância em minhas descobertas gastronômicas.

Justamente em respeito ao livro venho aqui fazer uma pequena correção. No primeiro post do blog fui enganada por minha memória ao dizer que o livro recomendava incansavelmente que as crianças tivessem sempre a ajuda de um adulto. Isso não é verdade. O mais interessante é que é um livro para crianças e que incentiva as crianças a reinarem sozinhas na cozinha, sempre tomando muito cuidado, mas de maneira autônoma e com muita confiança de que é capaz de preparar muitos pratos.

Mais do que isso, o livro é ousado, com receitas de suflês, bolos, saladas, carnes, todo o necessário para um cardápio bem balanceado.

Merecido então, fazer uma homenagem a esse livrinho que tanto nos inspirou. Resolvemos montar todo um cardápio com receitas tiradas de suas páginas, com direito à releituras ou simplesmente um preparo zeloso ao seguir à risca cada dica do livro.

O Cardápio escolhido:

Entrada: Cestinhas de tomate
Prato principal: Carninha do Lalau acompanhada de cenourinhas no arroz
Sobremesa: Salada brasileirinha 

Ao ler a receita das cestinhas de tomate tive várias idéias e não me contive a fazer uma releitura completa do prato.

Lavei bem os tomates, tirei a tampa e o miolo e reservei. Em uma travessa misturei mussarela picada, peito de peru também picado, uma generosa porção de castanhas de cajú moída, muito requeijão cremoso para misturar tudo, um pouco de azeite, salsa e cebolinha para dar uma cor.

Com esta mistura recheei os tomates, cobri com queijo parmesão ralado e levei ao forno bem quente apenas para gratinar.



Para quem quiser saber as diferenças da minha versão das cestinhas de tomate para a do livro, basta ampliar a foto da receita aí em cima. 

Definitivamente, foi uma outra receita, usei o livro apenas como livre inspiração no melhor estilo Gastronomia Doméstica.

Já minha irmã, achou que se a proposta era homenagear o livro, nada mais justo do que seguir à risca suas receitas e sugestões, e foi desta forma que ela preparou a carninha do Lalau.

Em uma tigela colocou meio quilo de carne moída, 1 cebola média finamente picada, 2 ovos inteiros, 1 tomate picado, 2 colheres (sopa) de farinha de rosca,  2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado, sal e cheiro verde picadinho. Misturou tudo muito bem.

Então colocou essa massa de carne e temperos em uma forma untada com azeite. Marcou com uma faca losangos sobre a carne e regou com azeite.

Deu seu toque de chef acrescentando castanha de cajú moída polvilhada sobre tudo e levou ao forno pré-aquecido por 40 minutos.



Um bolo de carne simples e bem saboroso que qualquer criança pode fazer sem grandes dificuldades.

Para acompanhar a carninha do Lalau, cenourinhas no arroz. Além de dar uma cor toda especial ainda ganhamos em vitaminas. Preocupação esta que o Gente Miúda demonstra por todas suas folhas ao explicar sobre os grupos alimentares e como montar um cardápio completo e saudável.

Para fazer é muito fácil. Em uma panela coloque um fio de óleo, uma cenoura bem picada, depois de refogar a cebola coloque 2 xícaras de arroz e frite por alguns segundos. Acrescente uma cenoura  média em cubinhos e sal a gosto. Cubra com 3 xícaras de água fervente e deixe a panela semi tampada.

Quando já estiver quase seco acrescente a ultima xícara de água e tampe a panela. Quando o arroz secar tire do fogo e espere uns cinco minutos antes de servir.

Outra dica do livro é sobre a apresentação do prato. Sugere que se pegue uma xícara molhada, então coloque o arroz na xícara e aperte bem com o auxílio de uma colher. Vire o arroz no prato formando montinhos.




Seguimos a sugestão de apresentação, mas trocamos a xícara por uma forminha que achamos mais bonitinha. O alecrim para decorar deixou o prato ainda mais bonito e fotogênico.

Almoço leve, saudável e de preparo fácil.

Mas para ser completo falta a sobremesa. A salada brasileirinha, que nada mais é do que uma fresca salada de frutas.

Minha mãe, assim como eu, também abusou da liberdade poética oferecida pela oportunidade de criar uma releitura do prato. Ao invés de seguir a combinação de frutas da receita preferiu utilzar as frutas da estação que estavam mais bonitas e apetitosas.

Picou caquis, melão, maçãs, ameixas e bananas, também algumas uvas verdes sem caroço. Cobriu tudo com suco de laranja e deu seu clássico toque acrescentando  uma pequena dose de Contreau (o que não deixa a salada politicamente correta, já que seria uma receita infantil, mas que não teve problema nenhum aqui em casa onde as crianças já são bem crescidinhas).

Como tudo que é bom fica melhor com sorvete, não nos contivémos e servimos uma generosa bola de sorvete de creme e muita calda de caramelo junto com a salada de frutas.



Uma folhinha de hortelã sempre ajuda a fazer uma foto mais bonita.

Depois deste almoço estou pensamento seriamente em ir à alguma livraria, me dirigir à sessão de livros infantis, buscar um novo livrinho de receitas culinárias mirins.

Acho que seria interessante analisar as diferenças das receitas de uma década para a outra além de ter mais uma desculpa para outro almoço como o desse domingo.