segunda-feira, 28 de abril de 2014

Navegar é preciso

E navegando chegaram por aqui muitos imigrantes que ajudaram a construir a cultura e determinar as características mais marcantes desse imenso país.

Nas últimas férias a patota em peso dirigiu-se ao Rio Grande do Sul para relaxar e conhecer as ricas influências dessa gente que atravessou o mar e veio parar neste cantinho do Brasil.

Claro que elegemos a gastronomia como uma das mais agradáveis formas de nos aproximarmos desta cultura. E justo por isto, assim que chegamos em Gramado corremos para o Di Paolo (porque nós merecemos).

sim... nós merecemos

Foi lá que fui apresentada ao conceito não de rodízio, mas de sequência, e a uma pequena, mas deliciosa, parte da presença italiana na região.

Vamos por partes, começando com a cerveja Coruja Viva, de Porto Alegre (cidade que foi nossa primeira parada e onde fomos muitíssimo bem recebidos com um maravilhoso churrasco meio paulista meio gaúcho oferecido pelos queridos Gilson, Palmira e Isabela, muito obrigada, estava tudo perfeito!).

Voltando à cerveja... a coruja nos convida a beber com sabedoria. Sua embalagem é um divertido frasco de remédio antigo. A cerveja é viva, ou seja, não pasteurizada e sendo assim, deve ser mantida sempre a baixas temperaturas. Feita com três vezes mais malte do que as pilsens comuns, seu sabor é amargo, marcante e inconfundível. 

beba com sabedoria

A harmonização não é fácil, mas com os sabores bastante tradicionais que estávamos prestes a saborear eu diria que a Coruja cumpriu bem o seu papel.

O primeiro sabor que provamos foi do incrível capeletti in brodo. Suspeitamos desde o princípio que seu brodo deve ser feito com galinha caipira. Intenso, com temperos bem dosados e a massa no ponto ideal (nada de macarrão molenga na sopinha, bah).

capeletti in brodo... brodo intenso e massa no ponto ideal

Sei que o caldo estava tão bom... (e por ainda não saber o que me aguardava) não resisti e tive que repetir umas duas vezes este brodo.

Eis que chegam as saladas de batata, leve e macia, de folhas verdes com cogumelo e croutons e a de radicchio com bacon (bacon na salada pode?). Na minha humilde opinião toda salada deveria ter bacon ou croutons.

Pratos quentes começam a pipocar na mesa. Polenta e mais polenta (grelhada e frita), as apaixonantes almofadinhas de queijo, tão apaixonantes que não resisti e já em solo paulistano tive que preparar esta delícia utilizando alguns queijos pecorinos da Casa da Ovelha de Bento Gonçalves, mas volto neste assunto em um futuro post). E claro, o galeto al primo canto, feito na brasa, que estava bem crocante (franguinho é sempre tudo de bom).

mesa sem fim...

Se a porção for pequena ou acabar rápido, não se preocupe, as mãos dos garçons são rápidas e quando menos esperar um prato com uma nova porção será colocado na mesa bem diante dos seus olhos.

E quando pensar que acabou, não se engane, ainda pode escolher quais as opções de massa que deseja experimentar. Chato, né? Recomendo muito o molho de tomate seco.

uma de cada por favor...

Aprendizados importantes: quando descobre-se as sequências descobre-se também o quanto cabe de comida em um único ser humano e que toda sequência, por mais que pareça não ter fim, acaba, mas só acaba quando chega o sagu com creme.

Sagu feito com vinho, muito vinho. Cremoso e doce na medida certa. A impressão final perfeita de qualquer refeição. Infelizmente a esta hora a pessoa aqui já não conseguia se mover nem para tirar foto da sobremesa.

Depois deste almoço de sonho, nada de sesta, hora de aproveitar a viagem de outras maneiras.

Passear pelas ruas repletas de coelhinhos da páscoa, visitar a aldeia do Papai Noel com seus bonecos de neve e diversos ajudantes do bom velhinho (sim, Papai Noel em abril).

Papai noel... coelhinho da páscoa... banquete onde as mãos são mais rápidas que os olhos. Já deu para entender que esta viagem é de mexer com a imaginação, né? Ou melhor dizendo, Gramado é uma verdadeira fonte de inspiração para muitos posts, receitas e histórias.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pirando na batatinha

Todo mundo sabe que nhoque bom, é nhoque feito de batata... nada de cenoura, nem azeitona, nem brócolis ou tomate.

Batatas podem não ter pernas para trançar, nem árvores escalar, nem navegar, nem pôr gravetinhos para empilhar, mas ficam felizes quando fazem amigos batatas, unem-se para formar um maravilhoso nhoque e são reconhecidas pelo bom trabalho.

nhoque de batata, nada de cenoura, brócolis ou tomate...

Para quem acha que surtei de vez e não estiver entendendo nada, recomendo assistir este vídeo que certamente deixará seu dia melhor (ao menos um pouquinho mais fofo e divertido).

Voltando às batatas... além da versatilidade no preparo, as batatas possuem uma grande diversidade de formas, texturas, cores e sabores... asterix, monalisa, atlantic, yacon, baroa, doce... Somos todos batata!

Seguindo esta lógica por que não nhoque de batata doce?

Em uma forma coloque 4 batatas doces grandes, partidas ao meio, regadas com azeite e um pouco de sal, cubra com papel alumínio e leve ao forno a 180º. Devem ficar no forno até estarem bem macias.

Descasque as batatas ainda quentes com o auxílio de um pano de prato e então faça um purê usando um esmagador de batatas. Como a batata doce é mais fibrosa recomendo, após o purê estar pronto, colocá-lo no processador para que fique bem lisinho.

Noz moscada, sal, 1 colher (sopa) de queijo parmesão ralado, 1 ovo e 1 xícara, aproximadamente, de farinha de trigo completam a receita. A farinha de trigo deve ser colocada apenas em quantidade suficiente para que a massa não grude nas mãos.

Misture tudo até obter uma massa uniforme e é hora de enrolar e cortar os nhoques no tamanho de sua preferência. Gosto daquele tamanho que torna possível comê-lo com um único "nhoc".

Água quente na panela, cozinhe até que apareçam na superfície. Agora o último passo antes do molho: puxar os nhoques no azeite. Azeite quente e pequenas porções do nhoque passadas rapidamente pela frigideira para que não grudem quando forem para a forma.

O molho é feito com filés de lombo de porco, achei que combinaria bem com o adocicado da massa. Frite em um pouco de azeite 1 cebola picada em finas fatias até que estejam douradas. Acrescente 2 dentes de alho picados, 800 g de lombinho picado em cubinhos na ponta da faca e deixe fritar. Coloque uma generosa dose de vinho do porto para fazer o deglacê. Acrescente pimenta do reino moída, sal, 1 lata de tomates sem pele picados e 2 tomates frescos e bem maduros sem pele e também picados. Um pouco de água, mexa bem e deixe apurar. Para finalizar corrija o sal se necessário e não poderiam faltar nem a salsa e nem a cebolinha.

Para a montagem, coloque um pouco do molho no fundo da forma, o nhoque, cubra com o restante do molho, parmesão ralado, leve ao forno para gratinar e o batato trem estará pronto para ser servido. 

nhoque de batata doce... 

Mistura de sabores que é um verdadeiro carinho ao paladar e parecem te levar pra lua. Tenho a impressão que se chegar bem perto será possível ouvir as felizes batatinhas cantando: Vem comigo, vem cantar... Batata, batatinha, batatinha, batatinha...


Ingredientes

Nhoque de batata doce:
4 batatas doces grandes
1 ovo
1 xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de queijo parmesão ralado
azeite, sal e noz moscada a gosto

Molho de lombinho  :
800 g de filés de lombo de porco
1 cebola
2 dentes de alho
1 dose de vinho do porto
1 lata de tomates sem pele
2 tomates maduros
pimenta do reino, azeite, sal, salsa e cebolinha a gosto

segunda-feira, 14 de abril de 2014

E agora chef?

Uma caixa, um desafio, dois minutos. E agora chef?

Funciona assim, o chef André Falcão chega na cozinha e há em cima da mesa uma caixa fechada com alguns ingredientes ainda desconhecidos. O chef abre a caixa, descobre seu conteúdo e rapidamente tem que apresentar um prato com os ingredientes encontrados.

Toda vez que essas receitas aparecem entre os programas da Discovery h&h tento fazer o mesmo exercício que o chef. Vejo os ingredientes e antes de saber o que será preparado penso o que eu faria se estivesse no lugar dele. No fim comparo a minha ideia com a ideia do chef e chego a conclusão que a ordem dos fatores sempre altera o produto.

Pratos bem diferentes podem ser preparados a partir dos mesmos ingredientes. Dependendo, como sempre, apenas da criatividade e experiência do chef.

Quando chego na minha cozinha não há uma caixa em cima da mesa, mas há uma grande caixa branca e refrigerada que me pergunta: e agora chef?

Quem nunca abriu a geladeira ou o armário e ficou ali fazendo combinações mentais e formando variadas possibilidades para o jantar?

Outro dia, à minha disposição estavam os seguintes ingredientes: maçã verde, gorgonzola, castanha do pará, medalhão de filé mignon e arroz arbóreo.

Muitas opções de risotos, variadas opções de molho... uma questão de múltipla escolha.

a) Risoto de maçã verde e castanhas do pará com medalhão ao molho de gorgonzola

b) Risoto de castanhas do pará e gorgonzola com medalhão ao molho de maçã verde

c) Risoto de filé mignon, maçã verde, gorgonzola e castanhas do pará tudo junto e misturado

d) nehuma das anteriores

Letra "D", claro... adoro ser do contra...

Optei pela combinação: risoto de gorgonzola e maçã verde com medalhão ao molho de castanha do pará.

Todas as opções são interessantes, mas vou detalhar os tortuosos caminhos da minha mente...

Na opção "A" o risoto ficaria ofuscado pelo molho de gorgonzola da carne.

Na "B" seria o oposto, o molho de maçã faria o sabor do medalhão perder um pouco de intensidade e o risoto teria maior destaque.

A "C" até poderia dar certo, mas descaracterizaria o medalhão ao integrá-lo ao risoto e os ingredientes teriam que ser muito bem dosados para chegar a um equilíbrio.

Logo, os elementos ficariam melhor harmonizados se risoto e medalhão conseguissem o mesmo destaque no prato.

Tudo friamente calculado. Opção escolhida. Mãos à obra.

Risoto é sempre aquela receita de bolo... ops, de risoto mesmo. E todo bom risoto precisa de um bom caldo para começar.

Preparei o caldo com talos de alho poró, cebola, alho, azeite, sal, tomilho, salsa, cebolinha e uma pera. Basta colocar tudo na panela, cobrir com água e deixa ferver e apurar até que o caldo tenha absorvido todos os sabores.

Caldo preparado e coado, hora de começar o risoto propriamente dito.

Azeite na panela, uma cebola bem picada a ser refogada. Acrescentar e fritar rapidamente 1 e 1/2 xícara de arroz arbóreo, 1/2 dose de cachaça para ativar o amido, caldo, mexe, cozinha, mais caldo, mexe, cozinha, um pouco mais de caldo, mexe, cozinha e por aí vai até que o arroz esteja quase no ponto. 

Quando sentir que faltam menos de 5 minutos de cozimento (apenas um ponto antes do ideal) acrescente 1 maçã verde picada em cubos pequenos sem a casca. A graça de acrescentar a maçã nesta etapa é que ela irá se misturar bem ao risoto sem perder toda sua crocância.

Arroz cozido, caldo já na medida de servir (cremoso, mas sem excesso) acrescente 150 g de gorgonzola picado, desligue a panela, junte salsa e cebolinha, corrija o sal se necessário, dê uma última mexida e está pronto para servir. Simples assim.

O molho e o preparo do medalhão são tão simples quanto.

Em uma travessa coloque 75 g de castanha do pará, meia xícara de água e bata com a ajuda de um mixer (pode ser no liquidificador também). Essa mistura deve ficar bem espessa e uniforme. Reserve.

Tempere os medalhões apenas com sal, pimenta do reino e um pouco de azeite. Frite em uma frigideira aquecida com azeite, 3 minutos e cada lado, mais um minuto "girando, girando" para torrar o bacon que o envolve.

Medalhão pronto, retire da frigideira. Nessa mesma frigideira, coloque o creme de castanha do pará com 1 colher (sopa) de manteiga, sal e pimenta do reino. Deixe reduzir e capturar o tempero da carne (5 minutos são suficientes).

Pronto! 
risoto de gorgonzola e maçã verde com de medalhão ao molho de castanha

Tudo isto harmonizados com cervejas especiais da Amazon Beer. A primeira foi a Bacuri, de leve teor alcólico, bastante frutada e excelente para dias quentes. Aliás, bacuri é uma fruta amazonense... tomar a cerveja dá vontade de prová-la.

A segunda cerveja foi a Witbier Taperebá. Feita com trigo ao estilo belga (mais cítrica e frutada) e misturada com a fruta Taperebá (obviamente), o que não é tão óbvio é que esta fruta é o famoso cajá. Que pode ser notado logo no primeiro gole. Também combina muito com os dias mais quentes e refeições tão equilibradas quanto esta.

amazon beer, cervejas incrementadas com frutas da amazônia

Sabores e texturas surpreendentes. Medalhão suculento, risoto cremoso e o molho de castanhas ficou sensacional.

Mas o mais interessante de tudo isso é perceber que as outras opções também são válidas e podem ser testadas em futuras oportunidades. E que para inovar não precisamos alterar os ingredientes, basta alterar a forma de combiná-los.

Que tal fazer o exercício de olhar para a geladeira hoje e misturar tudo de uma maneira diferente?

Ingredientes

Caldo para o risoto:
talos mais verdes do alho poró (aquela parte que normalmente não se usa na receita)
1 cebola
2 dentes de alho
3 ramos de tomilho
3 ramos de salsinha
2 talos de cebolinha
1 pera
2 litros de água
azeite e sal  gosto

Risoto de gorgonzola e maçã verde:
1 1/2 Xícara de arroz arbóreo
1 maçã verde descascada e picada em cubos pequenos (Cerca de 0,5 cm)
150 g de gorgonzola
1/2 dose de cachaça
1 cebola picada finamente
azeite e sal a gosto

Medalhão ao molho de castanha do pará
4 Medalhões de filé mignon (no açougue e em alguns mercados encontra-se os medalhões prontos já envolvidos com o bacon, caso contrário compre finas fatias de bacon e prenda ao redor do medalhão com o auxílio de um barbante)
75 g de castanha do pará
1/2 xícara de água
1 colher (sopa) de manteiga
sal, pimenta do reino e azeite a gosto

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Yohoho! E uma garrafa de rum!

Desde muito antes de Willy Caolho os piratas já despertavam a curiosidade e o fascínio de muitas gerações.

Saber apenas que são ladrões, malvados e grandes bebedores de rum não justifica todo esse interesse, mas quando nos envolvemos com as diversas histórias, percebemos que há piratas para todos os gostos.

De Barba Negra a Jack Sparrow não poderíamos deixar de citar a lenda do Holandês Voador que faz parte até do desenho do Bob Esponja, Long John Silver (talvez o que mais se aproxime de ser o pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau... do clássico A Ilha do Tesouro) e o meu preferido: Capitão Gancho.

Este último aliás, tornou-se o meu preferido quando ganhou uma "releitura" vinda diretamente da sessão "séries que arruínam nossos sonhos infantis": Once upon a time.

Nessa série temos o incrível e lindo Capitão Gancho contra o demoníaco Peter Pan... pois é... uma grande bagunça que é justamente o que torna a série interessante ao misturar muitas das histórias contadas e recontadas infinitas vezes, porém sem o clássico maniqueísmo que as acompanha.

Mas... voltando aos piratas. É de conhecimento público e notório que todo bom pirata bebe rum, muito rum.

O rum seria algo como a cachaça caribenha. Podendo ter inclusive maior teor alcoólico (sim, pode ser mais forte que a cachaça, enquanto pela regulamentação brasileira a cachaça pode ter entre 38% e 48% o rum pode ter entre 35% e absurdos 54%) e feito a partir do melaço ou da mistura de caldo de cana e melaço, enquanto a cachaça é feita apenas  do caldo fresco da cana.

Bom... esperando que algum feijão mágico abra um portal para o quintal aqui de casa e por ele chegue o Capitão Gancho com seu grande navio acompanhado do crocodilo Rumplestiltskin da Branca de Neve e da Rainha má, mantenho na despensa uma garrafa de rum para bem recebe-lo, claro.

E na intenção de tornar esta recepção ainda mais calorosa, faço-me valer de um pouco de magia e transformo esta garrafa em um bolo macio e irresistível. Estou falando de baba au rhum.

Dissolva 15 g de fermento biológico fresco em 6 colheres (sopa) de leite morno, 1 colher (sopa) de açúcar e 1/2 xícara de farinha de trigo. Misture tudo e deixe descansar em um lugar quentinho para ativar o fermento e crescer e crescer por 30 minutos.

Em uma batedeira coloque 200 g de manteiga em temperatura ambiente e 2 colheres (sopa) de açúcar. Acrescente um a um 6 ovos e continue batendo. 

Bata até obter uma massa fofinha antes de adicionar 1 xícara e meia de farinha de trigo peneirada e somente no fim junte o fermento já crescido.

Massa pronta, coloque em forma untada e deixe crescer de novo até que dobre de tamanho antes de levar ao forno preaquecido a 180º.

Enquanto isso... faça uma calda com 4 xícaras de água, 2 xícaras de açúcar e 1 xícara de rum. Ferva até reduzir e engrossar um pouco. 

Quando o bolo estiver assado tire do forno e despeje a calda sobre ele. Guarde aproximadamente 1/3 da calda para servir diretamente no prato.

baba au rhum... fofinho e acolhedor 

Pode-se incrementar um pouco com frutas cristalizadas ou secas e até mesmo servir o baba au rhum com chantilly ou ganache. Depende apenas do gosto pessoal e criatividade.

Realmente parece mágica, misturar os ingredientes e... Abracadabra! Um bolo acolhedor feito com fermento de pão e muito rum (tudo bem, nem tanto rum assim).

Mas cuidado, a magia sempre tem um preço.

Neste caso, nada muito assustador, baba au rhum não costuma fazer ninguém encolher ou mesmo tornar-se um gigante, na verdade por mais fofinho e gostoso que seja, apenas nos cobra o justo preço de lavar uma pilha de louça cantando uma canção de pirata ao terminar a receita... 

Pode não ser tão divertido, mas é bem mais seguro...

"Bravos rapazes, piratas de verdade, 
Empunhem os machados e cortem o cordame. 
Levantem a bandeira da caveira 
Na festa do fogo, da pólvora e do sangue. 
Que nao fique um só vivo e que vença a maldade! 

Yo-ho-ho, e uma garrafa de rum!"

Ingredientes

Baba au rhum:
15 g de fermento biológico
6 colheres (sopa) de leite morno
2 1/2 xícaras de açúcar
300 g de farinha de trigo peneirada
200 g de manteiga amolecida
6 ovos
4 xícaras de água
1 xícara de rum

segunda-feira, 31 de março de 2014

Processando

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que esta que vos escreve mantém um caso de amor com o processador de alimentos.

Nenhum outro utensílio é tão versátil e prático, nem tão rápido e perfeito para os ansiosos.

Quer fazer massa de macarrão? Processador!

Almôndegas de frango ou linguiça? Processador!

Quibe de peixe? Processador!

Molho pesto? Processador!

Recheio de cannoli? Processador!

Crosta de pão para carnes? Processador!

Chips de batatas? Processador!

Ralar muito queijo? Processador!

Patés? Processador!

Picar cebola e alho? Processador!

Maionese? Processador!

...Se for para citar exemplos esse texto pode não ter fim...

Resumindo, carro sem estrada, queijo sem goiabada, sou eu assim sem um processador de alimentos na cozinha.

Como acredito que casos de amor podem se fortalecer com grandes declarações, resolvi preparar uma receita que é praticamente uma ode ao processador de alimentos: terrine de frango com manjericão.

No processador (claro) bata 500 g de antecoxas de frango sem a pele. Reserve.

De novo no processador (não me diga!) bata 500 g de peito de frango também sem a pele. Reserve.

Mais uma vez, (adivinhe onde?) no processador bata meio maço de manjericão, 1 cebola, 2 dentes de alho, 3 colheres (sopa) de aveia em flocos, pimenta do reino moída, sal e azeite. 

Em uma travessa misture todos os ingredientes que foram batidos (onde? onde? onde?) no processador até obter uma massa homogênea. Acrescente a esta mistura uma generosa porção de castanhas de caju em pedaços irregulares. Reserve.

Com o auxílio do processador (só podia), faça finas fatias com uma berinjela e um alho poró.

Refogue as fatias de berinjela e alho poró em azeite com um pouco de sal.

Agora é só montar. Unte com um pouco de manteiga uma forma própria para terrine (aquela de bolo inglês, de pão, compridinha e funda). Aperte bem a massa de frango no fundo e nas laterais. Coloque uma camada da berinjela refogada, uma camada de frango, mais uma camada de berinjela e a última camada de frango. Tudo bem apertadinho na forma.

Pequenas porções de manteiga espalhadas sobre a terrine dão o toque final. Cubra com papel alumínio e em banho maria leve ao forno preaquecido a 180° por cerca de 40 minutos.

Importante, a água do banho maria já deve estar fervendo quando a terrine for levada ao forno.

Após 40 minutos tire o papel alumínio e deixe dourar por aproximadamente mais 20 minutos.

Desenforme e sirva quente ou fria (normalmente a terrine deve descansar na geladeira por algumas horas antes de ser servida, mas quem resiste a prová-la quentinha?). Na forma haverá um molho com todos os sucos que se desprenderam da terrine e deve ser servido junto, pois concentra todos os sabores.

terrine de frango... o enfeite de manjericão não deu muito certo...

De acompanhamento uma saladinha daquelas sem programação, quando se pega algo da fruteira, a folha que estiver na geladeira e se rolar até uma castanhinha... Almeirão cortado bem fininho (dessa vez na faca mesmo), pera e castanha do pará. Azeite e sal sempre, mas com moderação, e umas gotinhas de limão sobre a pera para não escurecer.

terrine de frango e salada de almeirão com pera e castanhas do pará

Harmonização com a cerveja Young's Special London Ale. Encorpada, amarga e de elevado teor alcoólico para o estilo. Sabor bem acentuado pelo malte e pelo lúpulo, frutado, combinou muito bem com as castanhas do pará e de caju e com o majericão da terrine.

frutada, encorpada, amarga e de elevado teor alcoólico para o estilo...

Delícia!

Delícia para a salada, delícia para a cerveja e, principalmente, delícia para a terrine!

Receita anotada em verso e prosa no caderninho, para ser repetida e repetida e repetida e repetida...

Lugar de destaque garantido para o processador de alimentos. E até a próxima receita ficarei contando as horas para usá-lo de novo, torcendo para que o relógio não esteja de mal comigo...

Ingredientes

Terrine:
500 g de antecoxas de frango sem pele
500 g de peito de frango sem pele
1/2 maço de manjericão
1 cebola
2 dentes de alho
3 colheres (sopa) de aveia
100g de castanha de caju
1 berinjela média
1 alho poró
manteiga para untar
pimenta do reino moída, sal e azeite a gosto 

Salada:
1 pera
1/2 maço de almeirão
1 porção de castanha do pará
Suco de limão (apenas algumas gotas)
sal e azeite a gosto

segunda-feira, 24 de março de 2014

Cozinha Prática

"A prática leva à perfeição" é uma máxima que se aplica muito bem à cozinha. Tentamos, erramos, tentamos de novo, fazemos diversas experiências, aprendemos e enfim conseguimos obter os resultados desejados e alçar vôos maiores nos arriscando em receitas complicadas.

Praticidade é também um termo que cabe como uma luva, afinal precisamos comer todos os dias ao menos 3 vezes e se o cardápio puder ser leve, saudável e rápido, ou seja: prático, então é perfeito para o dia a dia.

Pensando nisso não poderia haver título melhor para um programa de culinária do que Cozinha Prática. E este é o nome do programa de Rita Lobo na GNT.

Receitas fáceis e equilibradas, com direito a dicas de livros que tratam de assuntos relacionados à gastronomia, dicas de utensílios (nem sempre úteis, nem sempre práticos, mas sempre cheios de charme) e dicas de ingredientes coringa para se ter na despensa.

Foi em um dos episódios desse programa que vi a receita deste post: quibe de peixe com salada de iogurte e pepino.

De fácil preparo e alto teor nutritivo, vamos começar pelo quibe de peixe.

Deixe de molho 1 xícara de trigo em uma travessa com água.

No processador (processador é sem dúvida um item essencial a qualquer cozinha que tem a intenção de ser prática) bata 500g de filés de pescada com 1/2 xícara de salsinha até obter uma mistura homogênea. Reserve.

Em uma frigideira com uma generosa quantidade de azeite, caramelize 2 cebolas picadas em finas fatias no formato de meia lua, polvilhe uma pitada de açúcar. Reserve.

Escorra bem o trigo com o auxílio de uma peneira e coloque em uma tigela, misture o peixe, as raspas de 1 limão e de 1 laranja pequena, 1/2 xícara de nozes picadas e a cebola. Tempere tudo com sal e pimenta do reino e misture bem. 

Coloque em uma forma untada com azeite. Com a mão molhada alise a superfície e dê o toque final riscando losangos com a ajuda de uma faca. Um pouco mais de azeite sobre o quibe antes de levar ao forno preaquecido a 180º.

quibe de peixe, prático e nutritivo

Para acompanhar a refrescante (claro que é refrescante, ela é feita com hortelã) salada de pepino com iogurte que é sempre bem vinda. Me pergunto porque não repetimos esta receita com maior frequência por aqui...

Lave e seque bem 2 pepinos japoneses e uma porção de folhas de hortelã. Corte ambos em finas fatias. Em uma tigela misture 1 copo de iogurte natural, azeite, sal e pimenta-do-reino. Junte ao iogurte a hortelã e o pepino e misture.

salda de pepino e iogurte com folhinhas refrescantes de hortelã

Sabor de comida saudável, daquelas que nosso corpo agradece principalmente por não pecar no sabor. A cebola caramelizada faz toda a diferença no quibe e a hortelã da salada além de torná-la obviamente refrescante, ainda faz um excelente link com o quibe trazendo um sabor um pouco mais conhecido a este prato tradicional preparado com um ingrediente tão inusitado quanto o peixe.

Mais prático que isso, nem delivery.

Ingredientes:

Salada de pepino e iogurte
2 pepinos japoneses
1 copo de iogurte natural
1 porção de hortelã
azeite, Sal e pimenta do reino a gosto

Quibe de peixe
500g de pescada limpa
½ xícara de salsinha
2 cebolas 
1 pitada de açúcar
1 xícara de trigo para quibe
Raspas de 1 laranja pequena
Raspas de 1 limão
½ xícara (chá) de nozes picadas
Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

segunda-feira, 17 de março de 2014

Soy latino americano

A viagem dessa vez é para a América Latina... Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela...

Acho que não esqueci de nenhum país, afinal soy latino americano e nunca me engano.

Claro que não é possível fazer um tour por todos esses países em um único cardápio, mas a ideia é incluir ingredientes comuns à maioria, como o milho e a banana (yes, nós temos banana e milho também).

Nossa primeira escala é em Cuba, onde encontramos um drink refrescante que é a cara deste povo caliente das Américas: o mojito.

Preparar o mojito é muito fácil. Com a ajuda de um pilão amasse algumas folhinhas de hortelã com 1 colher (sopa) de açúcar. Em um copo alto coloque 1 dose de rum, o suco de 1 limão, a hortelã com o açúcar já macerada, gelo (muito gelo picado) e 3 doses de água com gás. Decore com raminhos de hortelã ou uma rodela de limão e divirta-se.

mojito, drink leve e refrescante, as bananas são só decoração...

Com o mojito em mãos seguimos para o prato principal: o tamale.

Algo parecido com a brasileiríssima pamonha, conhecido como tamal na Costa Rica, hallaca em Cuba e na Venezuela, envueltos na Colômbia, guanime em Porto Rico, pasteles no Caribe e na República Dominicana e como tamale em El Salvador, Honduras, Peru, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Argentina e Chile.

Dizem que a origem é Maia ou Inca (há controvérsias), o que se tem certeza é que seu consumo por aqui é anterior à chegada de qualquer colonizador. Em alguns países são doces, em outros salgados. Há quem capriche nos pimentões, e quem não coloque pimentão nenhum. Pode ser embrulhado na folha do milho ou da mandioca, assado, feito no vapor ou cozido na água mesmo... O que há em comum é sempre a massa de milho com recheio ao gosto do freguês.

Com todas essas informações me senti livre para criar a minha versão. Peguei uma dica daqui, outra dali, simplifiquei (baseada na frustrante experiência anterior com as pamonhas) e ataquei de tamale de forno com uma generosa camada de queijo gratinadinho para dar um toque todo especial.

Aqueça azeite em uma panela e coloque para fritar 500 g de carne moída. Frite, frite e frite (importante, para que a carne não solte água nesta etapa: o fogo deve ser alto, a carne deve ser fresca, não coloque sal e mexa o mínimo necessário). Depois de bem frita coloque uma dose de cachaça e flambe. Quando o fogo acabar, acrescente 4 tomates, 1 cebola e 2 dentes de alho que devem ter sido previamente batidos no processador ou liquidificador. Agora sim, coloque sal e pimenta do reino a gosto, mexa e deixe apurar por aproximadamente 40 minutos. Para finalizar, salsa e cebolinha. Reserve.

Em outra travessa coloque 1 xícara de farinha de milho amarela em flocos e 1 xícara e meia de leite. Mexa e deixe descansar por uns 10 minutos, até que esteja um pouco dissolvida.

Agora bata no liquidificador o milho de 4 espigas grandes (pode ser substituído por 2 latas de milho de 200g cada), 2 ovos, 2 colheres (sopa) de manteiga, pimenta do reino branca moída, sal e a mistura de leite com farinha de milho. Deixe bater bem até que esteja uniforme (bata bastante e com muita calma nessa hora).

Unte uma forma com manteiga e coloque no fundo o refogado de carne, cubra com a mistura de milho, muito queijo parmesão ralado e forno a 180° por 45 minutos.

Uma ideia é preparar o tamale de um dia para o outro e só assar na hora da refeição. Assim dá para se concentrar melhor nos mojitos e comer mais descansado... 

Para acompanhar, salada com banana da terra cortada longitudinalmente (vulgo de comprido) e frita em uma frigideira com um pouco de manteiga até que esteja dourada (manteiga com sal de preferência).

tamale simplificado e gratinadinho

Na salada permiti a presença de alguns intrusos lá do mediterrâneo (alface e rabanete), e um lá da ásia central (a cenoura), mas como esses intrusos são velhos conhecidos já naturalizados por estas bandas, combinaram bastante com os demais ingredientes acrescentando refrescância, crocância e fizeram muito bem o seu papel ao ficarem ali só na humildade deixando a banana ser a estrela principal deste acompanhamento.

Faça uma cama de folhas com a alface, rabanetes e cenoura ralados e misturados e sobre tudo isto a banana grelhada (tempere tudo com azeite para finalizar).

bagunça de tamale e salada de banana grelhada, reconfortante e colorido...

Sorriso de quase nuvem ao provar estes sabores extremamente reconfortantes e harmoniosos.

Boa comida e muitos mojitos depois não há quem resista a sair cantando e dançando.

Soy loco por ti de amores.

Ingredientes:

Mojito
1 porção de hortelã
1 dose de rum
3 doses de água com gás
1 colher (sopa) de açúcar
suco de limão
gelo picado
ramos de hortelã para enfeitar

Tamales
500g de carne moída
4 tomates
1 cebola
2 dentes de alho
1 dose de cachaça para flambar
sal, pimenta do reino, azeite, salsa e cebolinha a gosto
4 espigas de milho grandes (ou 2 latas de 200g cada)
1 xícara de farinha de milho amarela em flocos
1 e 1/2 xícara de leite
2 ovos
2 colheres de manteiga
mais sal e pimenta do reino branca a gosto

Salada
4 bananas da terra
5 rabanetes
2 cenouras
1 maço de alface
1 colher de manteiga com sal
azeite para finalizar