segunda-feira, 13 de abril de 2015

Aventura em alto mar

Uma das vantagens de cozinhar ao invés de ir a um restaurante, é poder montar o cardápio pensando exclusivamente no que mais agrada o próprio paladar.

Se gostamos de um tempero ou ingrediente, podemos pesar a mão sem culpa e se não gostamos podemos simplesmente riscá-lo da receita para todo o sempre... Bom, isso explica porque não se lê por aqui muitas preparações do fundo do mar.

Nenhuma crise em confessar que não sou muito fã. O que faz com que não haja motivação na inclusão destes bichinhos nadadores nas refeições e nem muita intimidade com os modos de preparo, seus tempos e suas técnicas.

Pois é... o que deveria ser uma vantagem pode se transformar em limitação. O que não é nada bom para quem se propõe a sempre aprender mais e mais sobre gastronomia.

Eis que surge o desafio: fazer um peixe recheado. Tudo bem, peixe, entre todas aquelas coisas esquisitas que habitam os oceanos, está dentro da minha zona de conforto, mas peixe grande? Inteiro e recheado? Bem longe de ser uma preparação comum para mim.

Aceitei o chamado para a aventura e embarquei nessa onda de cabeça. Não sem antes espiar algumas receitas do meu chef favorito (Claude ♥). Afinal, quando não temos a prática, nada como uma boa referência teórica para enfrentar o passo a passo de forma bastante segura.

Vamos à primeira etapa desta aventura: comprar o peixe.

Vá a um lugar de confiança, escolha um belo robalo, certifique-se que está bem fresco, informe que irá recheá-lo e peça para que lhe entreguem o peixe já no jeito! Acredite, a pessoa que vende o peixe sabe o que faz e isto garante que você não irá destroçar o coitadinho fazendo com que sobre pouco ou quase nada de sua carne.

Outra coisa, desta forma é possível pedir para que cortem parte da cabeça, não pode tirar a cabeça toda porque senão o recheio cai, mas deixar a cabeça pode ser desagradável na hora de servir. Então cortem lhe a cabeça pela metade.

Dica (que fiquei sabendo só depois de pronto e por isso não testei, mas registro aqui): quando chegar com o peixe em casa, deixe descansar no leite para que o sabor fique mais suave e delicado.

Todos os ingredientes comprados, hora de começar o preparo pelo recheio de bacalhau. Bacalhau eu gosto! Precisaremos de 4 postas de bacalhau dessalgado (1.350 g mais ou menos).

Em uma panela alta coloque 1 L de azeite, 4 dentes de alho (com casca) e 3 ramos de tomilho. Fogo baixo, bem baixo, até o fim do preparo deve-se suportar a caloria na mão quando mantida sobre a panela (se um termômetro estiver disponível, a temperatura ideal é 80°). Lembre-se, o bacalhau deve ser confitado e não frito. Quando atingir a temperatura (ou seja, quando a caloria for forte, mas suportável) mergulhe o bacalhau e espere 25 minutos. Desligue, retire o bacalhau e desfie (deixe lascas grandes).

Estará praticamente desmanchando, será muito fácil tirar pele e espinhas. Reserve o bacalhau, o azeite e o alho.

Aqueça 1 concha do azeite de bacalhau e refogue rapidamente o alho (sem casca) que estava no cozimento. Acrescente mais uma concha do azeite e coloque o bacalhau em lascas. Adicione tomilho e salsinha a vontade, mais 2 conchas de azeite e o miolo de 2 pães (francês). Misture rapidamente, acrescente mais 1 concha do azeite (o recheio precisa ser bem úmido). Desligue o fogo, pingue o suco de meio limão siciliano, verifique se será necessário corrigir o sal (se o bacalhau for dessalgado no ponto, não será necessário, mas se for, esta é a hora) e deixe esfriar.

De volta ao peixe grande... Confira se ele está bem limpinho, se não sobrou nenhuma escama, nenhuma espinha gigante... É legal dar mais uma lavada no peixe, deixar secar e só então temperar com sal, 3 dentes de alho triturados no pilão, pimenta do reino, o suco de 1 limão siciliano e com o azeite do bacalhau.

Pronto, hora de colocar todo o recheio dentro do peixe. Não desperdice, pode deixar o bichinho estufadão. Para segurar o peixe fechado, mesmo depois de estufá-lo, precisei de um barbante envolvendo todo o "pacote". Mas use o barbante com moderação, ou seja, não é necessário apertar, use apenas o suficiente para deixar o peixe estável.

Na forma, faça uma cama de rodelas de cebola. Cada rodela deve ter mais ou menos 1 cm. Sobre as cebolas, o peixe, com o recheio voltado para cima.

Para cobrir este recheio (não queremos que ele resseque) faremos uma crosta com 2 xícaras de farinha de rosca, 1 concha do mesmo azeite de bacalhau que aproveitamos em todas as etapas da receita, 1/4 de xícara de queijo parmesão ralado, sal e pimenta do reino. Misture tudo até que fique uniforme e pressione delicadamente sobre todo o peixe.

Cubra a forma com papel alumínio e coloque em forno preaquecido em 220° por aproximadamente 20 minutos.

Retire o alumínio e deixe no forno até que a crosta esteja dourada.

robalo recheado de bacalhau com crosta crocante... essas marquinhas indicam onde estava o barbante

Avaliando o resultado: robalo de textura macia e suculenta, recheio perfeito, crosta crocante e muitos convidados satisfeitos pedindo a receita ao longo da refeição. Desafio vencido!

Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para esta pessoa aqui. Quem sabe, foi só o primeiro na direção de muitas novas preparações vindas diretamente da imensidão dos oceanos... ou não... nunca se sabe.

prato bagunçado para ter ideia da textura do maravilhoso recheio e da carne do peixe... difícil tirar foto de peixe recheado... esta sem dúvida é a maior legenda que já escrevi

Ingredientes

Robalo recheado com bacalhau:
1 L de azeite
4 dentes de alho
3 ramos de tomilho
1.350 g de bacalhau dessalgado
2 pães (francês)
salsinha a vontade
1 robalo médio inteiro e limpo para rechear
3 dentes de alho 
1 limão siciliano
sal e pimenta do reino a gosto
3 cebolas
2 xícaras de farinha de rosca
1/4 de xícara de queijo parmesão ralado
mais sal e pimenta do reino a gosto

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Abobrinhas

lasanha de abobrinha

A sexta-feira que antecede a Páscoa (sexta santa para os íntimos) é feriado nacional. E se é feriado, é um dia especial para todos, independente de religião.

E dias especiais a gente gosta mesmo é de passar entre amigos! Claro que respeitando as escolhas e crenças de todos, afinal, nada fortalece mais os relacionamentos do que o respeito.

Sendo assim, convidei duas amigas para virem jantar aqui em casa comigo e minha mãe. Minha mãe dispensa a carne na sexta-feira santa e uma das amigas (oi Liane!) está nos primeiros passos para a entrada no fabuloso mundo do ovo-lacto-vegetarianismo.

Portanto cardápio sem carne.

Fácil! Muitos temperos e sabores fazem com que ninguém sinta falta da carne por um dia. O que pode ser um incentivo para, quem sabe, adotar a segunda sem carne daqui por diante... por que não?

Enfim... boa comida, amigas em volta da mesa claro que a conversa flui de maneira espontânea e muito prazerosa. Às vezes por caminhos tortuosos, às vezes emendando vários assuntos que nunca chegam à uma conclusão, mas sempre com muito humor já que o que a gente faz de melhor é falar abobrinha.

Abobrinha no bom sentido, daquele de conversa solta, sem nenhuma formalidade ou preocupação. Que combina com cervejas e reuniões de amigos. Abobrinha esta, que foi parar até mesmo dentro da lasanha e tornou-se o prato principal deste jantar.

Pois é, não é um prato de difícil preparação, mas precisa de tempo, por isso combina muito bem com o feriado. Vamos ao passo a passo.

Lasanha de abobrinha parte 1: o preparo da massa.

No processador (claro que se não tiver um processador disponível, pode ser em uma travessa e depois é só usar as mãos) coloque 200 g de semolina de trigo durum, 200 g de farinha de trigo, 3 gemas, 3 ovos inteiros, azeite e sal a gosto. 

Use a função pulsar para misturar tudo de maneira uniforme. Retire do processador, finalize amassando um pouquinho mais na mão e abra a massa com a ajuda de um cilindro. Não precisa deixar muito fininha, é legal sentir a massa na lasanha, uns 3 mm fica bem bacana.

Corte a massa em quadrados de 10 cm aproximadamente (não há necessidade de ser tão rigoroso). E cozinhe em água fervente por mais ou menos uns 2 minutos. Reserve as massas pré cozidas.

Lasanha de abobrinha parte 2: o molho.

Em uma panela aqueça azeite, coloque 1 cebola ralada e refogue rapidamente. Acrescente 300 g de cream cheese, 350 ml de creme de leite fresco, sal, pimenta do reino e noz moscada a gosto. Mexa até ficar homogêneo, finalize com uma generosa porção de salsinha. Reserve.

Lasanha de abobrinha parte 3: o recheio de tomates.

Pique, em cubos, 6 tomates sem pele. Tempere com manjericão picado, 1 dente de alho amassado no pilão, sal e azeite. Reserve.

Lasanha de abobrinha parte 4: as abobrinhas.

Fatie 3 abobrinhas médias longitudinalmente (de comprido). Tempere com sal, azeite e pimenta do reino. Reserve.

Lasanha de abobrinha parte 5: o queijo puxa-puxa.

Mozzarella de búfala (preferencialmente a de bola) picada, 150 g são suficientes, só para dar uma graça. Reserve.

Lasanha de abobrinha parte 6: montar a lasanha.

Tudo pronto e frio, hora de montar. Uma fina camada de molho, massa, abobrinha, tomates, mozzarella de búfala (bem espalhada), molho, massa, abobrinha, tomates, mozzarella, molho, massa, abobrinha, tomates, mozzarella, molho, massa, molho e muito parmesão ralado para finalizar (para os mais ousados, recomendo colocar mozarella em fatias, o dourado do gratinado fica ainda mais bonito).

Perfeito! Hora de ir ao forno preaquecido a 250° por aproximadamente 20 minutos (o tempo de dourar o queijo).

Lasanha de abobrinha parte 7: servir e receber os elogios!

Pode dar um trabalhinho, mas compensa! A melhor parte? Receber os convidados com a lasanha já montada faz com que o tempo entre amigos seja muito bem aproveitado, sem a necessidade de se dividir entre a mesa e a cozinha. Além de render muitos elogios!

Tempo bem aproveitado entre amigos e sabores, acompanhado de muita abobrinha, é o que se pode fazer de melhor em qualquer feriado.


Ingredientes:
200g de semolina de trigo durum
200g de farinha de trigo
3 gemas
3 ovos
300g de cream cheese
350ml de creme de leite fresco
6 tomates
1 dente de alho
3 abobrinhas
150g de mozzarella de búfala
Parmesão ralado (ou fatias de mozarella) para gratinar
azeite, sal, pimenta do reino, noz moscada, salsinha e manjericão a gosto

segunda-feira, 30 de março de 2015

Versatilidade

pão delícia de tapioca e parmesão

A falta de hábito, muitas vezes, faz com que alguns ingredientes pareçam pouco versáteis.

Há um tempão que um pacote de tapioca granulada está para lá e para cá no armário, desde que foi usado para o preparo de um delicioso cuscuz (sim, faz quase 1 ano). E a cada mês, na hora de guardar as compras de mercado, olho para ele, ele olha para mim, verifico o prazo de validade e prometo para mim mesma que vou pensar em alguma receita que use a tapioca granulada antes que estrague.

Então passa mais um mês e a cena se repete, e se repete...

Claro que tapioca granulada não serve apenas para fazer cuscuz. Exitem inúmeras receitas de bolo, de pudim... mas a falta de hábito age quase como um bloqueio mental para a inclusão do ingrediente em qualquer receita.

Bloqueio que precisa ser vencido antes que a tapioca estrague. Eis que me chega às mãos um pequeno livro infantil recém comprado com a finalidade de entreter uma sobrinha cheia de energia.

Um livro infantil de receitas, que só tive tempo de ler o índice e pensar que poderia render um belo texto (que ainda não é este). Entre as receitas estava lá: pão de queijo de tapioca.

Perfeito! Uma receita que foge do doce e usa tapioca era tudo o que eu precisava. Pena que não deu tempo de ler com calma. Ainda bem, que para estes casos existe o Google (Santo Google) que me indicou várias receitas e me deu base para criar minha própria versão.

Google!! Como não pensei nisto antes?

Em uma panela coloque 1/2 xícara de creme de leite fresco, 1 xícara de leite e 1 colher (sopa) de manteiga, sal a gosto. Espere ferver, desligue o fogo e acrescente 1 xícara de tapioca granulada.

Deixe esfriar, mexendo de vez em quando, por aproximadamente 20 minutos. Tempo suficiente para que a tapioca hidrate.

Após 20 minutos... acrescente 1 ovo inteiro, 1 xícara de farinha de semolina de trigo durum e 1 generosa xícara de queijo parmesão ralado. Misture tudo muito bem, até que esteja uniforme.

Unte a mão (e uma forma) com um pouco de óleo e faça bolinhas com a massa, passe em mais queijo ralado e coloque na forma para levar ao forno preaquecido a 180° por aproximadamente 25 minutos (ou até que esteja dourado).

Pronto! Forma-se uma casquinha deliciosa de queijo na parte de baixo e o sabor é o de um pão de queijo com a melhor textura que se pode imaginar.

Uma forma simples e saborosa de provar que todo ingrediente pode ser versátil quando há um pouco de disposição e o Google por perto.


Ingredientes

Pão de tapioca com parmesão:
1/2 xícara de creme de leite fresco
1 xícara de leite
1 colher (sopa) de manteiga (ou 3 colheres de azeite se preferir)
1 xícara de tapioca granulada
1 ovo
1 xícara de semolina de trigo durum (para cortar o glúten da receita, pode-se substituir a semolina por 3/4 de xícara de polvilho doce)
1 xícara de parmesão ralado (e mais parmesão para passar por fora dos pãezinhos)
sal a gosto

segunda-feira, 23 de março de 2015

Protagonistas

Imagine um ator incrível, que sem ele o filme não teria a menor graça. Que acumula Oscars como coadjuvante, mas que nunca foi convidado a ser o protagonista. 

Injustiça, certo?

Bom, essa é a história do sal. Entre os temperos é, sem dúvida, o de maior destaque, mas em cada prato entra apenas para realçar sabores.

Pois bem, resolvemos reparar esta injustiça dando ao sal o seu merecido papel de ator principal em um cardápio completo dedicado a ele, da entrada à sobremesa.

Mas isso tem história. Tudo começou quando duas amigas vieram jantar aqui em casa. Preparei raviolones de berinjela.

Comemos, bebemos, conversamos, demos risadas e ao fim do jantar cada uma levou para casa uma singela marmitinha. 

A mãe de uma das amigas provou os raviolones e gostou tanto que me pediu para fazer uma nova receita para ela. Pedido de amiga a gente não recusa. Foram feitos e embalados pra viagem na intenção de proporcionar um lindo almoço de domingo.

E se os raviolones foram feitos com todo carinho, não posso me expressar de outra forma com a maneira como foi retribuído.

Um verdadeiro carinho em forma de cesta recheada com incríveis azeites, vinho, bombons e algo muito especial que me chamou a atenção: um potinho de sais especiais.

o astro principal de nossas receitas

Dentro dele 4 tipos de sal: o sal marinho, o sal rosa do Himalaia, o sal cítrico e o sal negro. E foi aí que surgiu a ideia de montar um cardápio que utilizasse todos em papel de destaque.

Chega de história e vamos às receitas.

A entrada é a schiacciata, mas ao invés de cebolas e sal grosso, única e exclusivamente, sal cítrico. O sal cítrico é temperado com limão, bem aromático e com toque refrescante. Combina com peixes e também é muito utilizado para temperar saladas. Excelente para dar um toque verão aos pratos. 

schiacciata com sal cítrico

De acompanhamento: legumes confitados, (afinal, não podia perder a oportunidade de utilizar um dos azeites da cesta).

Cenouras descascadas (3 pequenas), 2 tomates e 1 cebola, todos cortados ao meio, 3 dentes de alho com casca e algumas azeitonas (mais ou menos umas 12). Tudo isto coberto de azeite e temperado com muito manjericão e sal marinho.

Leve ao forno baixo (100º) por aproximadamente 1h30 (até que os legumes estejam cozidos). Pronto para servir!

Além de deixar os legumes macios e saborosos, pode-se utilizar esse azeite aromatizado em outros pratos depois. O sal marinho, utilizado neste confit, é proveniente da evaporação da água do mar, e é considerado melhor do que o tradicional sal de cozinha por possuir mais minerais. 

legumes confitados com sal marinho

Chegamos ao prato principal, e claro que o sal mais exótico só poderia ser utilizado neste momento. Pernil assado com sal negro.

Primeiro a explicação do sal. O sal negro é um tipo de sal vulcânico, o sabor lembra gema de ovo, possui baixo sódio e muitos minerais, entre os sais apresentados até agora, além de ser o mais exótico, também é o que apresenta mais benefícios à saúde.

Para um pedaço de pernil de aproximadamente 2 kg utilize 1 cebola e 3 dentes de alho triturados no pilão, o suco de 1 limão siciliano, 200 ml de cerveja stout, sal (comum), azeite e pimenta do reino a gosto. Deixe marinar de um dia para o outro na geladeira.

No dia seguinte... Cubra com papel alumínio e coloque em forno médio (180º) por aproximadamente 3 horas. Após estas 3 horas, retire o papel alumínio, aumente a temperatura do forno para o máximo, se possível em forno elétrico para formar pururuca, e deixe o pernil dourar por mais 1 hora.

Fatie e na hora de servir polvilhe o sal negro sobre a carne. Sendo utilizado apenas na finalização do prato, seu sabor não estará misturado com os demais temperos, e irá sobressair e acrescentar um toque bastante particular à suculenta carne.

pernil com finalização de sal negro

Hora da sobremesa. Hora de fazer uma doce receita utilizando o sal rosa do Himalaia. Sal de grande pureza, recolhido em depósitos seculares do Himalaia e, assim como o negro, possui inúmeros minerais benéficos à saúde.

Sim, será utilizado na sobremesa.

Toffee salgado. Para preparar o toffee coloque em uma frigideira grande 2 xícaras de açúcar e deixe derreter. Para não açucarar é importante não meter a colher enquanto o açúcar estiver derretendo.

Açúcar dourado e derretido, acrescente 2 e 1/2 xícaras de creme de leite fresco e 30 g de manteiga.

Tenha fé. Parece que vai dar errado, mas vai dar certo. O açúcar irá endurecer logo de cara e pode bater um desespero, mas insista. Demora um pouco, mas devagar o açúcar irá mais uma vez derreter e se misturar ao creme de leite formando um maravilhoso e perfeito caramelo.

toffee salgado com sal rosa do himalaia

Sirva em pequenas massas de torta doce, na colher, sobre bolachas... da maneira que melhor lhe apetecer, mas não esqueça de polvilhar uma leve e sutil porção de sal.

Nas sobremesas uma pitada de sal serve para realçar o sabor e deixá-las ainda mais incríveis e encantadoras. No toffee o sal tem um papel mais importante, também dosa a intensidade do doce e transforma um simples caramelo em uma sobremesa realmente impactante.

Toffee salgado é uma unanimidade aqui em casa, e se pode parecer um pouco estranho a princípio, depois de provar é simplesmente irresistível.

Irresistível como um descontraído jantar entre amigas que rende um almoço de domingo e um cardápio dedicado ao sal e a amizade, que é a verdadeira protagonista de qualquer história.

Obrigada Le e mande beijos para sua mãe!


Ingredientes

Legumes confitados (3 pessoas):
3 cenouras pequenas
2 tomates italiano
1 cebola
3 dentes de alho
12 azeitonas
muitas folhas de manjericão
azeite suficiente para cobrir os legumes
sal a gosto (utilizamos o sal marinho nesta receita)


Pernil assado com finalização de sal negro:
1 pedaço de 2 kg de pernil
1 limão siciliano
200 ml de cerveja stout
3 dentes de alho
1 cebola
sal, azeite e pimenta do reino a gosto
Sal negro para finalizar no prato


Toffee salgado:
2 xícaras de açúcar
2 1/2 xícaras de creme de leite fresco
30 g de manteiga
Sal (utilizamos o sal rosa do Himalaia)

segunda-feira, 16 de março de 2015

É ritmo de festa...

Ritmo...

Sim, estamos em ritmo de festa. Não poderia ser diferente, temos motivos de sobra para muita empolgação e euforia.

João Guilherme chegou vendendo saúde e tranquilidade, a vovó acabou de fazer aniversário, Maria Clara mais fofa a cada dia...

E é desta festa dominical que balança o coração, festa divertida , colorida de emoção, que vem a inspiração para as receitas do dia.

Receitas que são ótimas para animar qualquer festa. Desde uma tarde de domingo com as crianças, até um elegantérrimo queijos e vinhos. Ainda são simples, bem fáceis e rápidas de fazer.

A primeira delas é um patê de gorgonzola. 

No processador, liquidificador ou pilão (o que for mais fácil) coloque 50 g de queijo gorgonzola picado, 1 cebola pequena, azeite a vontade, cebolinha e 100 g de requeijão cremoso. Bata até obter uma pasta homogênea.

Sirva com pães ou torradas de sua preferência.

patê de gorgonzola, almofadinhas de queijo e manjericão para decorar

Decore com uma folhinha de manjericão para a foto. Festas, fotos e pratos ficam muito mais charmosos quando decorados.

Segunda receita: almofadinhas de queijo, ou se preferir, bolinho de chuva recheado com queijo.

Massa feita a partir de 5 colheres (sopa) de farinha de trigo, 3/4 de xícara de leite, 1 colher (chá) de fermento e sal a gosto, misture até que fique em ponto de cola, mergulhe na massa cubos de 1 cm de queijo minas padrão (ou outro queijo de fácil derretimento). Óleo quente na panela, frite até que doure e coloque em um prato com papel toalha para escorrer.

Na hora de fritar certifique-se que o queijo esteja completamente envolvido pela massa para que não estoure.

Queijo puxa-puxa no meio de uma massinha frita e fofinha, não tem como não agradar.

Daquelas receitas de comer compulsivamente e sem culpa, afinal dia de festa é dia de alegria...

Então sorria e vem pra cá... A festa continua, a casa é sua, pode entrar!

Hey! Hey! Hey! Hey! Hey!


Ingredientes

Patê de gorgonzola:
50 g de gorgonzola
100 g de requeijão cremoso
1 cebola pequena
cebolinha e azeite a vontade

Almofadinhas de queijo (ou bolinho de chuva recheado de queijo):
5 colheres (sopa) de farinha de trigo
3/4 de xícara de leite
1 colher (chá) de fermento em pó
cubos de queijo minas padrão
sal a gosto
óleo para fritar

segunda-feira, 9 de março de 2015

Mulheres

Enquanto as cozinhas dos lares de família sempre foram conduzidas por mulheres, as cozinhas profissionais não tinham espaço para elas.

Não pense que há qualquer justificativa para isto, talento nunca nos faltou. Por exemplo, as Mères Lyonnaises fizeram de Lyon, na França, uma grande referência gastrônomica desde a metade do século XX. Chegaram a conquistar estrelas Michelin, mesmo assim, nunca foram tratadas pelo título de chef e por isso, mère (mãe). 

Puro preconceito.

Preconceito que ainda hoje não foi completamente vencido. E que, como tantos outros exemplos, demonstra a importância de se comemorar o dia 08 de março.

Sua relevância está muito além da publicidade, que insiste em usar a data para reforço de estereótipo, ou da simples entrega de flores (como vimos aos montes no último domingo). A finalidade real é trazer ao centro das discussões o quanto ainda estamos longe da igualdade de gênero tão fundamental para a construção de uma sociedade justa.

Enfim, fazemos nossa parte todos os dias e esperamos as mudanças acontecerem. Durante esta longa espera, sem previsão para acabar, vamos alimentando este blog de gastronomia escrito por uma mulher que tem como principal referência gastronômica outra mulher, minha mãe.

Ela que é a grande chef aqui de casa e que comemora mais um ano de vida amanhã. Merece uma mais do que justa homenagem, afinal se o blog existe, a culpa é dela. Tudo sempre é culpa da mãe.

Culpa dela que não me expulsava da cozinha quando eu chegava arrastando a cadeira para alcançar a pia e pedia para ajudar com o jantar. Culpa dela que trazia tantos aromas e sabores para a mesa e fez com que eu me apaixonasse pelas panelas. Culpa dela que me incentiva e gosta dos meus textos. A culpa é sempre dela...

E claro que grande parte das receitas publicadas neste espaço são tão dela quanto a culpa.

Sendo assim, fica difícil pensar em alguma receita em particular para tentar esta singela homenagem. Mas, se é aniversário... tem que ter brigadeiro.

Duas receitas simples de brigadeiro de colher dignos da chef.

Receita básica: na panela 1 colher (sopa) de manteiga com sal (um toque de sal ajuda qualquer doce), 30g de chocolate meio amargo ralado, 1 lata de leite condensado.

ingredientes para o preparo do brigadeiro...

Fogo baixo, mexer sem parar até que desgrude do fundo da panela. Retire do fogo e ainda quente adicione 25 ml de vinho do porto. Mexa delicadamente até que esteja homogêneo. 

Coloque em potinhos com direito à colherzinha e enfeite e decore com chocolate granulado e ralado. Pronto!

Segunda receita? A partir desta etapa: retire do fogo e ainda quente...

Adicione o suco de meio limão siciliano e as raspas de 1 limão siciliano.

Sim, fica mais bonito se trocar o chocolate meio amargo por chocolate branco. Por que não fiz isso? Porque não tinha chocolate branco no armário, mas não vou me desculpar pela falha, na minha opinião, chocolate meio amargo é muito mais gostoso... Escolha pessoal. 

Coloque em pequenos potinhos, enfeite com mais raspas e não esqueça da colher. Pronto de novo!

limão siciliano e vinho do porto em forma de brigadeiro de colher

Simples e delicioso. Agrada até mesmo quem não é fanático por brigadeiro. 

Acrescentar sabores à receita básica é como dar um pequeno toque que faz toda a diferença. Aquele tipo de coisa que mães e chefs conhecem muito bem.



Ingredientes

Brigadeiro de colher de vinho do porto:
1 colher (sopa) de manteiga com sal
30g de chocolate meio amargo ralado
1 lata de leite condensado
25 ml de vinho do porto

Brigadeiro de colher de limão siciliano:
1 colher (sopa) de manteiga com sal
30g de chocolate meio amargo ralado
1 lata de leite condensado
1 limão siciliano

segunda-feira, 2 de março de 2015

Pacotinhos

pacotinhos de queijo e creme de amendoim

É amanhã!

Depois de nove meses, eis que o pequenino já tem data para chegar.

Amanhã!

E enquanto a gente espera... a gente cozinha. Uma simples e delicada receita de pacotinhos de crepe para esperar a chegada da encomenda feita para a cegonha.

Massa bem básica, 150 g de farinha de trigo, 150 ml de leite, 1 ovo e 1 generosa colher de manteiga derretida. Bata com o auxílio de um fuê até ficar homogêneo e deixe descansar por aproximadamente 30 minutos.

A massa descansa e a gente trabalha. Prepare os recheios. Podem ser dos mais variados, nossa sugestão para os pacotinhos salgados é misturar queijos. Queijo branco, do reino, parmesão e requeijão. Tudo picadinho, bem misturado e temperado com óregano.

Outra sugestão, agora doce, creme de amendoim. Mas poderia ser creme de avelã, brigadeiro, trufa...

Enfim... frigideira quente, um pouco de manteiga, coloque uma pequena porção da massa e a espalhe por toda a superfície de maneira uniforme, tente deixar bem fininha. Quando estiver douradinho use suas habilidades para em um só movimento virar a massa e dourar do outro lado.

Depois de preparar todas as massas comece a montagem dos pacotinhos.

Um pouco de recheio no centro, junte as bordas e amarre com um barbante. No caso dos pacotinhos salgados, fica ainda mais bonitinhos se amarrados com ciboulette.

Volte os pacotinhos depois de prontos para a frigideira, queremos queijo derretido!

Pronto!

esperando o pacotinho da cegonha chegar...

Delicados e graciosos são ótimos para diversas ocasiões, um completo café da manhã ou chá da tarde, como entrada do almoço ou do jantar ou ainda como petisco no chá de bebê.

Afinal, pacotinhos sempre são bem vindos em qualquer ocasião.

Mas o único pacotinho que nos interessa de verdade chegará só amanhã. E vem prontinho, não precisa acrescentar nem  farinha ou fermento.

Bastará um pouco de leite e rapidinho estará crescido, correndo e brincando na companhia da sua irmãzinha maluquinha que está bastante ansiosa para dar as boas vindas ao pequenino.

Seja bem-vindo João Guilherme!

fofo, delicado e delicioso


Ingredientes

Pacotinhos
Massa básica:
150 g de farinha de trigo
150 ml de leite
1 ovo
1 generosa colher de manteiga
mais manteiga para fritar a massa

Recheio salgado:
50 g de queijo branco
50 g de queijo do reino
25 g de queijo parmesão
50 g de requeijão cremoso
óregano

Recheio doce:
Creme de amendoim