terça-feira, 15 de maio de 2012

Nem só de ração, vive o cachorro...


Isso mesmo, falarei hoje sobre o refinado paladar canino.

Acreditem, cachorros também cansam de comer sempre a mesma coisa. A Bolinha que o diga.

nem só de ração vive o cachorro...

Afinal ela é o membro de 4 patas e um rabinho da patota aqui de casa. E assim como todos os outros integrantes é exigente na hora de comer. Imaginem só, que ela simplesmente começou a desprezar a ração quando descobriu as maravilhas dos gostosinhos caninos. E não falo de nada muito requintado não, apenas alguns ossinhos e biscoitos, desses mais comuns mesmo.

quatro patas e um grande coração

Para driblar esse mau hábito e fazê-la voltar a consumir sua ração cheia de propriedades e vitaminas essenciais para mantê-la saudável e feliz, tivemos que começar a misturar aqueles patés caninos à ração.

Pois é... essa vira-lata mimada não é nada fácil. Mas vê-la brincando toda espoleta e contente ao correr pelo quintal e jogar seus brinquedinhos de um lado para o outro compensa todos os mimos e frescuras da pequena.

Sendo assim, é claro que fiquei super empolgada quando descobri o instituto Bakery e sua padaria para cães e gatos.

muitos mimos para os anjos de 4 patas

Sim, uma padaria exclusiva para os anjos de quatro patas que mantemos dentro de nossos lares e corações.

Com direito a sonhos, biscoitos de sabores variados, quibes, pães de queijo, bolos e muitas outras opções preparadas pelo chef Fredy.

chef Fredy... gostosuras de lamber o focinho

Todas as receitas foram pensadas por um zootecnista da USP, e são feitas com fermento e açúcar especiais. Ou seja, os quitutes podem ser oferecidos sem nenhuma contraindicação.

Esses cuidados com os cães e gatos podem parecer mero modismo, mas garanto que não há nada melhor do que agradar esses amores que são eternamente gratos a qualquer atenção dispensada à eles. E se faz bem ao dono e ao seu bichinho, tenho certeza que é uma moda que não irá passar.

Outra certeza é que a padaria The Dog Baker está sabendo aproveitar este nicho de mercado de uma maneira muito bem bolada com todas essas gostosuras, e uma certa dose de espirituosidade, que pode ser notada em suas embalagens. Em qual outro lugar poderia-se encontrar um biscoito que foi aprovado por latidos unânimes? Ou um aviso de que a delícia em questão pode provocar abanos de rabo e muitos pulinhos à sua volta?

Pela reação da Bolinha, nada disso trata-se de propaganda enganosa. Tanto que o sonho de maçã não aguentou até as fotos. Foi devorado em poucos segundos e teve seu potinho lambido para que não sobrasse nenhum grãozinho de aveia.

era uma vez um sonho...

De verdade! E isso quando o normal é que ela tenha medo de tudo. De tudo mesmo, desde folhas secas e talheres até pequenos potes de plástico como o que envolvia o sonho.

Tamanha gostosura a fez vencer seus próprios bloqueios. Incrível! Até eu fiquei com vontade.

A Bolinha aprovou, e se foi aprovado por ela, foi aprovado pela família dela também.

Com certeza um lugar bom pra cachorro... e para gatos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Top Chef Masters

Era uma preguiçosa noite de sábado, pós jantar acompanhado de um bom vinho, estava eu aproveitando o sono dos justos em meu adorado sofá. Eis que de repente, não mais que de repente, sou acordada por minha mãe com uma notícia bombástica: Curtis Stone é o apresentador do Top Chef Masters 3ª temporada.

Se eu já gostava de Top Chef, e já tinha preferência pelo Top Chef Masters, agora então, tenho um programa imperdível para as noites de sábado. Uma excelente oportunidade para quem, assim como eu, já estava com saudades do Curtis na TV.

Para quem não conhece, Top Chef é um reality show onde chefs encaram os mais complexos desafios gastronômicos. Uma verdadeira fonte de inspiração.

Foi lá que descobri a gastronomia molecular, espumas e tendências, e percebi o quanto desafiar-se pode ser empolgante.

E se em Top Chef os competidores são ilustres desconhecidos, em Top Chef Masters só participa quem já tem uma reconhecida história de sucesso no ramo da gastronomia. Um programa de dar água na boca.

No segundo episódio desta temporada, intutalado Everything Old Is New Again, o desafio era preparar um prato moderno, inspirado nos anos sessenta. Entre esses pratos estavam clássicos como a ambrosia, o strogonoff, e o vencedor deviled eggs preparados pela chef Mary Sue Milliken.

Deviled eggs nada mais é do que um creme de maionese feito com as gemas dos ovos cozidos e servidos dentro das claras cozidas. Aparentemente nada tentador, mas que foi capaz de encantar os mais refinados paladares.

Mais do que inspirada, corri para a cozinha e me propus a refazer 3 dos pratos do programa.

Minha primeira aventura foi tranformar o bife wellington em um petisco que serviria como entrada. Basicamente apenas encolhi a fórmula fazendo pequenas esfihas folhadas de paté de cogumelos, filé mignon e presunto.

O primeiro passo foi fritar as fatias de presunto cru, depois de fritos eles estavam bem sequinhos, então piquei em pequenos pedacinhos, fazendo quase uma farofa. Reservei.

No liquidificador, requeijão cremoso e cogumelos paris com um pouco de sal, azeite e pimenta do reino até que vire uma pasta consistente. Reservado também.

Em uma frigideira com um pouco de azeite selei pequenos pedaços de filé mignon temperados com sal e pimenta do reino. Não gastei mais de um minuto nesta tarefa.

Hora da montagem. Corte pequenos quadrados de massa folhada e recheie com um pouco de paté, o presunto picado e um cubo de filé mignon.  Fechar e colocar em uma forma untada, antes de levar ao forno pincelar com uma gema de ovo, para ficar douradinho.


petisco wellington
Todos os sabores em uma única mordida. Ótima opção para quem gosta de brincar de gigante... O filé mignon não ficou mal passado como no original, mas manteve-se suculento, a massa crocante, o sabor marcante do presunto e a textura macia do paté parecem se esconder enquanto esperam o momento certo de explodirem. E este momento, é claro, é a cada mordida.

A seguir: coq au vin. Não posso dizer que foi propriamente uma releitura. A grande diferença da minha versão foi ter substituído o galo por coxas de frango orgânico. Se a intenção era tornar este prato moderno o fato de ser orgânico já deu o tom da moda.

Momento criança chata. Alguém já viu um frango inorgânico? Um pouco de etimologia... "orgânico" é um termo que refere-se à qualquer organismo vivo. Logo, um frango sempre será orgânico, independente de tomar antibióticos, comer ração vegetariana, animal, milho... 

Enfim, embora não concorde com o termo designado para definir este tipo de alimento, concordo plenamente com o propósito. Afinal, comer bem deve sempre ser um hábito saudável e evitar toxinas provenientes de antibióticos, agrotóxicos, adubo, e afins é altamente recomendável, mesmo que para isso, ainda tenha-se que pagar um pouco mais.

Sem contar que em vida estes animais também são tratados com muito mais respeito.

De volta à receita. Lave as coxas de frango com bastante limão. Faça a marinada com dois dentes de alho inteiros, uma cebola picada, sal, azeite, o suco de meio limão, pimenta do reino, tomilho, estragão e meio litro de vinho tinto seco.

Deixe por pelo menos duas horas. Coloque pequenos pedaços de bacon em uma panela e deixe fritar bastante. Acrescente as coxas de frango sem o líquido da marinada, a panela deve estar bem quente e as coxas devem ser fritas até que fiquem bem douradas.

Acrescente então a marinada, cubra com mais vinho, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 1h. Outra vantagem da troca da carne, esta é bem mais macia e cozinha muito mais rápido.

Assim que o frango estiver descolando do osso, retire as coxas e bata o caldo no liquidificador com uma colher de manteiga para obter um molho mais fino e aveludado.

Finalize com uma colher de mostarda dijon e corrija o sal se necessário. Servi com algumas torradas e claro, os famigerados deviled eggs.

coq au vin e deviled egg
Tá bom, vou confessar que roubei no deviled egg. Ao invés de usar maionese, aproveitei um paté de queijo brie comprado já pronto no mercado e que estava dando sopa na geladeira. Foi a receita mais fácil da noite e a que arrancou maiores elogios.

Cozinhei o ovo até que estivesse bem firme, tirei a casca, parti ao meio, retirei a gema e com um garfo misturei a gema ao paté de brie. Sal, azeite, pimenta do reino e coloquei o creme no espaço da gema.

Facinho assim, cremoso demais, e ovo é sempre ovo e eu adoro.

Harmonizando este jantar, uma bebida tão charmosa quanto os anos 60, a Chandon baby Brut Rosé. Borbulhante, nada adstringente e com toque de frutas vermelhas.

chandon baby
Jantar maravilhoso, de sabores intensos e que só poderia ser melhor caso houvesse um certo chef a domicílio.

Mas mesmo sendo apenas pela TV, a companhia do Curtis já deixa qualquer noite bem feliz... Minhas noites de sábado jamais serão iguais.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nem só de caviar vive o homem

Meio largado entre tantos outros livros, "Nem só de caviar vive o homem" passou anos a fio sem despertar meu interesse. Eis que um belo dia, enquanto pesquisava receitas na internet, encontrei algumas informações sobre ele e não resisti. O resgatei da estante e não poderia imaginar o que me esperava em suas páginas.

Um delicioso best seller escrito nos anos 60 por Johannes Mario Simmel. Livremente inspirado nas aventuras reais de Thomas Lieven, um pacato banqueiro bon vivant, que meio sem querer acaba envolvido com o serviço secreto de vários países durante a 2ª Guerra. Mas a grande sacada do livro é mostrar a paixão por gastronomia deste agente. Paixão que sobrevive aos maus bocados de uma guerra e mais do que isso, o ajudam a executar seus planos (por mais mirabolantes que pareçam).

"Nem só de caviar vive o homem" é na verdade um grande livro de receitas, com 29 menus completos a serem devidamente copiados. Sim, todas as receitas estão lá, e agora também digitalizadas e guardadas junto com os livros de culinária aqui de casa.

Não vou dizer que são detalhadas, na verdade são escritas de forma tão corrida quanto à dinâmica vida dos agentes secretos, mas dá para entender e reproduzir cada uma delas sem grandes dificuldades. Receitas das mais diversas partes do mundo, e todas parecem ter a manteiga como ponto comum. Haja manteiga, mas tendo em vista que é uma história passada na década de 40 e reproduzida nos anos 60 nada mais normal do que essa exagerada dose de gordura saturada. Enfim, um livro para saborear cada página bem devagar e redescobrir os indiscutíveis poderes de uma boa refeição.

Poderes estes que ninguém por aqui duvida e justo por isso corremos à cozinha preparar algumas das receitas de Thomas Lieven.

de thomas lieven para a mesa

O cardápio escolhido:

Entrada: torradas com cogumelo - porque a cozinha húngara é boa conselheira
Prato principal: ragout de carne à espanhola - almoço picante para estourar grandes planos
Sobremesa: pêssegos flambé - só porque todos temos um pouco de piromania por aqui

A receita das torradas é bem simples. Em uma frigideira derreta duas colheres (sopa) de manteiga (olha ela aí), acrescente cogumelos limpos e picados, utilizamos paris e shimeji. Um pouco de sal, pimenta do reino e  já fora do fogo um pouco de creme de leite fresco para dar cremosidade. Torre então, fatias de pão de forma com manteiga (olha ela aí de novo).

cogumelos, sempre bem vindos

Sirva os cogumelos sobre as torradas ainda quentes e salpique um pouco de salsa picada (usamos a desidratada para variar um pouco).

Sinceramente eu trocaria o pão de forma pelo italiano sem pensar duas vezes. Mas o sabor é incrível. Cogumelos com creme de leite estão entrando para a minha lista de combinações sem chance de erro.

Sem dúvida uma daquelas entradas que dá vontade de aumentar a receita e cancelar o prato principal

torradas de cogumelos

Como não aceitamos cancelamentos, fomos direto para o ragu de carne à espanhola. Uma receita bem diferente do que estamos habituados a chamar de ragu. Primeiro deve-se cortar finas fatias de filé mignon e batê-las até que fiquem bem fininhas (quase um carpaccio), esses filés devem ser temperados com sal, pimenta do reino e mostarda dijon (usamos uma com ervas), reserve.

Corte finas fatias de batatas e reserve também. Mais algumas finas fatias, agora de cebola, em manteiga (não poderia faltar) frite as cebolas até que murchem. Reserve.

Em uma forma de pudim monte as camadas. Comece com batatas, sobre as batatas coloque pequenos pedaços de manteiga (eu avisei), uma camada de filé, uma camada de cebolas e siga nesta sequência até finalizar com batatas e manteiga (imprescindível).

Faça uma mistura com meia xícara de vinho tinto, meia xícara de creme de leite fresco e meia xícara de caldo de carne. Despeje este molho sobre os demais ingredientes, cubra a forma com alumínio leve ao forno em banho maria por 1h30.

ragu de carne à espanhola

Uma refeição completa. Carboidrato, proteína e muito sabor misturados de forma surpreendente. A carne fica tão macia que desmancha-se na boca e a mostarda é o que realmente faz toda a diferença no tempero.

Claro que não poderíamos deixar um almoço destes sem uma boa harmonização. Desta vez optamos por um vinho já conhecido e aprovado por aqui, o pinotage Obikwa. Infelizmente, talvez por ser de 2009 e não ser um vinho de guarda ou por mal armazenamento (hipótese mais próvável), ele estava um pouco mais ácido do que deveria estar. De qualquer maneira não comprometeu o brilho do que viria a seguir.

harmonizando

Pêssegos flambés. Sobremesas flambadas são sempre um belo espetáculo, ou deveriam ser. Primeiro a receita.

Escorra bem os pêssegos em calda e reserve. Faça uma calda clara e acrescente um pouco de conhaque e um pouco de cointreau. Na hora de servir coloque no prato os pêssegos, a calda e um pouco mais de conhaque para flambar. Sirva com amêndoas torradas e uma bola de sorvete de creme.

prontos para flambar

Confesso que tivemos grandes dificuldades em conseguir tacar fogo nos pêssegos. Talvez aproveitar a calda da lata tenha prejudicado nossa calorosa performance, não sei. Sei que tinha sorvete, amêndoas e açúcar, logo, nada a reclamar desta delícia gelada.

pessegos flambés com sorvete, porque tudo com sorvete fica ainda melhor
Almoço simplesmente fantástico, nada como ter boas inspirações. Realmente após refeições como esta fica fácil acreditar em toda a ação do livro.

Quanto ao caviar... nunca vi nem comi, eu só ouço falar, mas essa já é outra história, que pode muito bem acabar em samba.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sabor inesquecível

Não resisti ao encontrar no supermercado um dos ícones da minha infância: Mandiopã.

infância em caixa

Mandiopã é o precursor dos salgadinhos. Fabricado desde 1954 por Antônio Gumercindo, era uma verdadeira febre.

Chegaram a ser produzidas mais de 50 mil caixinhas por dia no final da década de 70 (nessa época eu ainda não dera o ar da minha graça neste mundo).

Mas como tudo em excesso faz mal, até sucesso, isso fez com que a empresa fechasse as portas. Rebatizado como Fritopan (assim que ele me foi apresentado) manteve sua produção pela Hikari.

Foi então, na década de 90, que nem o Fritopan resistiu. Com a oferta de inúmeros salgadinhos e a geração saúde que aboliu as frituras, o mandiopã sumiu de vez das prateleiras.

Agora, com a marca Mandiopã de volta às mãos de Antônio Gumercindo, podemos ter novamente este gosto da infância embalado em pequenas caixinhas.

Feito de fécula de mandioca é extremamente crocante, mas nada do que eu escreva aqui supera o espetáculo que é fritá-lo. Talvez esteja aí a maior saudade deixada por ele. Por isso não me contive e filmei bem de pertinho para compartilhar este momento por aqui.


Não vou dizer que o sabor é incrível (aliás, há várias opções de sabores), nem perder tempo tentando convencer alguém de suas propriedades nutricionais (tenho fé que exista algo além de caloria nesta maravilha) afinal, nada disso importa neste caso.

O que importa é que é Mandiopã. Que ele voltou e que ainda faz crooock!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A magia do Oriente

Reunir pessoas queridas ao redor da mesa é sempre um momento mágico. Tão mágico quanto as histórias do oriente de onde tiramos inspiração para nosso cardápio.

Já faz um tempo que eu estava aguada para testar uma receita de falafel, aproveitei para completar o cardápio com mais alguns pratos árabes e pronto. Um banquete começava a se formar.

E daquele tipo de banquete que mais me agrada. Aquele que não prende o anfitrião na cozinha por horas, mas parece prender os convidados à mesa. Quando todos deixam de sentir o passar do tempo enquanto cada um conta e ouve mil e uma histórias.

O falafel nada mais é que um bolinho de grão de bico (as bolinhas da felicidade).

O grão de bico contém triptofen, um aminoácido que nos faz produzir serotonina, que todo mundo sabe, traz uma sensação de felicidade. Resumindo, quando estiver triste, mergulhe no grão de bico e sorria.

bolinhas da felicidade

Continuando, é necessário deixar o grão de bico de molho de um dia para o outro. Na hora do preparo bata no processador 500g de grão de bico (cru), 1 colher (chá) de cominho, 1 colher (chá) de noz moscada, 1 colher (chá) de canela, 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio, 2 dentes de alho, 1 cebola média, 3 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo, pimenta do reino e sal a gosto, para finalizar, salsa e cebolinha.

Deixe bater por cerca de 10 minutos ou até virar uma pasta homogênea.

A parte mais trabalhosa é formar os bolinhos e fritá-los em óleo, não muito quente, até que estejam bem cozidos. Eu utilizei duas colheres de sobremesa para modelar e deixá-los mais ou menos do mesmo tamanho. Rendeu aproximadamente 50 bolinhos.

falafel - bolinho feito de grãos de felicidade

Quem prefere uma receita mais saudável, pode optar de acomodar os bolinhos em uma forma, pincelar com azeite e assá-los.

Claro, na minha opinião nada substitui um bom frit-frit, mas o coração agradece.

As especiarias conferem ao falafel um sabor exótico e bastante característico. Crocante por fora, macio por dentro e simplesmente delicioso a cada mordida.

frit-frit... insubstituíveis

Falafel também é o nome do sanduíche feito com pão pita e recheado com estes deliciosos bolinhos de grão de bico junto com os ingredientes que mais lhe agradarem.

Por aqui optamos por tabule e homus. Mais duas receitas de preparo muito fácil. O homus também é feito de grão de bico (dá-lhe felicidade), mas dessa vez ele é cozido e batido com temperos no liquidificador.

Os temperos para o homus são: suco de limão, tahine (molho de semente de gergelim), alho, sal e azeite. Não economize no azeite, mas tenha cuidado com o tahine e o suco de limão. Para 500g de grão de bico o suco de apenas 1 limão e 2 colheres (sopa) de tahine já são suficientes.

Fica ótimo no lanche, no pão, na torrada... sabor que conquista e cremosidade perfeita.

Para o tabule, a dica é afiar a faca. Basta picar todos os ingredientes bem miudinhos. Deixe 1/2 xícara de trigo para quibe de molho por 2 horas. Comece a picar: 2 tomates sem semente, 1 cebola média, o miolo de uma alface crespa e meio maço de hortelã. Misture tudo ao trigo e tempere com suco de limão, sal e azeite.

Leve e frequinho, existem poucos pratos de tão fácil harmonização.

Compramos o pão já pronto, o que não é uma boa dica, pois ele quebra inteiro e fica difícil montar os lanches. Mas fazer uma lambança até que faz parte de momentos descontraídos em família.

falafel com homus e tabule fazendo lambança no pão pita

Alguns pães picados e torrados para petiscar, lanches montados à preferência do freguês... Um jantar realmente inspirado.

E se o jantar está inspirado merece então uma sobremesa igualmente inspirada.

Sim, dessa vez fizemos um doce árabe para fechar a noite. O kneff.

Kneff é aquele doce árabe feito com macarrão aletria e recheado de ricota. Para o recheio misture 3/4 de uma lata de leite condensado com 400g de ricota. Acrescente 1 xícara de castanhas (pode ser amêndoa, avelã, pistache, eu abrasileirei e usei castanha do pará) picadas, 1 xícara de damascos picados e hidratados em água (basta uns 15 minutos) e meia xícara de uvas passa hidratadas em vinho do porto. Reserve.

Em uma frigideira, aqueça 2 colheres (sopa) de manteiga e doure 250g de macarrão aletria quebrado em pedaços não maiores do que 2cm. Mais 2 generosas colheres (sopa) de manteiga e doure mais 250g de aletria.

Unte uma forma com manteiga, coloque metade do macarrão, o recheio e a outra metade do aletria. Finalize regando com bastante mel. Cubra com alumínio e leve ao forno médio por 30 minutos. Retire o alumínio, regue com mais um pouquinho de mel e deixe dourar por 10 minutos.

kneff - doce árabe de aletria e ricota

Não sei se era efeito do grão de bico, mas me senti muito feliz com este doce. Texturas que se completam e sabores suaves. Nada de muito açúcar, porque até doçura deve vir na medida certa.

Já a felicidade... pode sempre vir em doses tão exageradas quanto preparar 1kg de grão de bico para 4 pessoas... Haja fome!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Bem Simples

De um jeito meio tímido e pouco articulado, o canal Bem Simples surgiu. E com uma mudança aqui, outra ali, foi crescendo até tornar-se um canal dinâmico e de conceito bem definido. Não era para menos, eles investiram não só em figurinos mais descontraídos e assuntos cotidianos, mas em apresentadores que realmente entendem do que falam.

Como o chef Rogério Shimura. Ninguém menos que o sócio da padaria "Em nome do pão" junto com Alex Atala. Quer mais? Diretor de Panificação da Associação Brasileira de Alta Gastronomia. Mais ainda? Que tal dizer que é professor de renomados cursos de gastronomia e panificação? Além de tudo isso ainda encontra tempo para apresentar o programa "A Confeitaria" no canal Bem Simples. Pois é, se alguém entende de panificação, esse alguém é Rogério Shimura.

schiacciata - nome nada simples

A primeira coisa importante é aprender que massa de pão não é feita a olho. Existem técnicas e proporções precisas para se conseguir um pão macio, fofinho, aromático, saboroso... lindo. Uma verdadeira aula de química.

E foi assistindo à uma dessas aulas (de química ou de confeitaria) que descobri a receita de schiacciata. Receita que me fez ficar com os olhinhos do Gato de Botas do Shrek ao encarar minha mãe pedindo que ela me desse a oportunidade de provar tal sabor.

Por que eu mesma não quis testar a receita? Bem simples esta resposta, porque minha mãe é o Rogério Shimura aqui de casa. Mas fiquei ali, observando o passo a passo, anotando cada detalhe e admirando cada movimento. Assim, quando eu me arriscar a fazer, já terei toda a teoria necessária.

Vamos à receita. Em um recipiente, misture 3 xícaras de farinha de trigo e 3 colheres (sopa) de açúcar. Acrescente meia xícara de leite e misture até ficar uma farofa. Esfarele então 21g de fermento biológico sobre a massa. Sove até que fique bem compacta. Junte 3 pitadas de sal, 5 colheres (sopa) de manteiga sem sal e coloque mais meia xícara de leite.

Agora vem a parte mais interessante desta receita.Estique a massa fazendo circunferências com a palma da mão. Junte a massa com o auxílio de uma espátula. Repita o movimento até que fique bem lisa e homogênea.

Deixe descansar em um recipiente com 50g de azeite, por 20 minutos. Enquanto isso... prepare o recheio.

Este é o momento de deixar a criatividade fluir. A receita original é com cebolas roxas, gruyère, tomilho e sal grosso. Na versão daqui de casa fomos de tomate seco, azeitonas, orégano e sal grosso.

Após o descanso, abra a massa em uma assadeira bem untada com azeite. Coloque o recheio apertando a massa com as pontas dos dedos. Mais descanso... deixe fermentar até dobrar de volume por mais ou menos 1 hora e asse a 180°C por cerca de 25 minutos.

o pão mais fofo que eu já provei na minha vida

Descrevendo o sabor em 3 passos:

1 Foi o pão mais fofo que eu já provei na minha vida. Sério!
2 Muito versátil, pois os sabores do recheio só dependem de criatividade.
3 Difícil é parar de comer.

Resumo da experiência? Nada como ter uma receita de quem entende do assunto.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Semana Santa

torta de bacalhau

Estamos em plena semana santa, e se para alguns este é um momento de romper tradições, por aqui é uma excelente oportunidade para nos deliciarmos com muitas receitas de bacalhau. E enquanto caçamos receitas de torta capixaba, bacalhoadas e bolinhos de bacalhau, já vamos petiscando uma sensacional torta, evidentemente, de bacalhau.

A massa é a mesma de sempre que pode ser conferida e seguida no post "Reciclagem" sobre a torta de peru. Quanto ao recheio... uma dica bem legal é usar lascas de bacalhau ao invés das postas. Além de mais baratas, dessalgam mais rápido e rendem muito. Para recheios é perfeito.

Nada de 2 dias para tirar o sal, com as lascas bastam 4horas... sim apenas 4horas. A dica de ferver em leite - de preferência com alguns ramos de tomilho e um dente de alho - para deixar a textura mais macia continua valendo e é a partir daí que começamos nosso recheio, com nossas lascas já dessalgadas e fervidas em leite.

Em uma panela, bastante azeite e cebola picados. Quando transparente acrescente alho também picado e depois alguns tomates. Azeitonas são sempre bem vindas. Depois que tudo estiver bem refogado acrescente as lascas desfiadas, uma rápida mexida, 3 generosas colheres (sopa) de cream cheese, corrijir o sal, acrescentar pimenta do reino a gosto. Para finalizar, o costumeiro toque da salsa e cebolinha. Pronto, esperar esfriar e rechear a torta.

Torta montada, forno pré-aquecido por aproximadamente 30 minutos (até que esteja dourada).

recheio de bacalhau feito com lascas: economia e agilidade para o preparo

O petisco ideal para a semana santa... para a semana antes da santa também... claro que é ótimo para preparar na semana seguinte, para a semana do dia das mães, das crianças, do natal, do ano novo... Afinal, quem é que precisa de desculpa para provar um bom bacalhau?